Depois que Sabrina fugiu agarrada ao lençol, Jorge ficou ali sentado na cama, olhando de forma abestalhada para o monte de trapos no chão. Até que os seus olhos doeram ao vislumbrar no lençol uma pequena mancha de sangue já escurecida.
Lá embaixo, no sofá da sala, o pequeno Júlio Cavalcanti não tinha ideia do que havia ocorrido. Apenas achava a vovó, a titia e até a Dona Ester muito estranhas.
— O que houve com o papai e a tia Sabrina? Ainda vamos ao zoológico? — Para ele, a ida ao Zoológico Municipal continuava a ser o principal.
Na noite anterior, a tia Sabrina havia telefonado para a casa dos avós, dizendo que queria levá-lo ao Zoológico Municipal com a vovó e a titia.
Fazia muito tempo que ele não ia lá, e ir com a tia Sabrina, de quem ele tanto gostava, deixava-o numa alegria enorme.
Olhando para a carinha de confusão de Júlio e lembrando-se das duas pessoas se vestindo lá em cima, Yara Inácio ordenou severamente a Dona Ester: — Leve o Júlio de volta para o quarto primeiro.
Achando que a avó não deixaria mais que ele fosse ao zoológico, Júlio abriu o berreiro: — Não! Eu quero ir pro zoológico!
— Júlio Cavalcanti, pare com a birra e vá já para o quarto! — Yara Inácio perdeu a paciência com ele, algo que quase nunca acontecia. O principal motivo era que, daqui a pouco, os assuntos a serem tratados eram totalmente voltados a adultos, impróprios para ouvidos de criança.
— Mãe, por que a senhora está gritando com o menino? Ele não fez nada de errado! — Camila interveio, doendo-se pelo sobrinho.
Yara, com uma dor de cabeça martelando, segurou a testa e suspirava sem cessar.
Nesse momento, Jorge Cavalcanti e Sabrina Saraiva, já com roupas decentes, começaram a descer as escadas, um atrás do outro.
As pernas de Sabrina ainda visivelmente vacilavam. Com passos frouxos, quase tropeçou várias vezes.
Quando cambaleou de novo, Jorge segurou-a por trás: — Cuidado.
O corpo dela enrijeceu-se. Pálida, soltou-se do aperto: — Tudo bem, eu consigo descer sozinha.
Dizendo isso, agarrou-se ao corrimão e, de lábios apertados, continuou descendo teimosamente os degraus.
Após muita insistência, Dona Ester convenceu Júlio a voltar ao quarto.
Antes de ir, ela não perdeu a chance de defender Sabrina: — Senhora, falem com calma. O Sr. Jorge bebeu muito ontem... E a Srta. Sabrina, bem, ela é só uma moça inocente.
Quando a criança saiu, a sala caiu num silêncio pesado.
Com os olhos vermelhos, Sabrina chorava silenciosamente.
Ainda que as palavras de Dona Ester não fizessem muito sentido prático, a mensagem por trás delas estava clara como água.
Sabrina era apenas uma garota solteira e pura, nunca tivera namorado, não entendia nada daquelas coisas.
O Jorge voltou embriagado à noite, então o mais provável era que houvesse perdido o controle pela bebida.

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