A voz de Yara Inácio despertou Jorge Cavalcanti. Ele abriu os olhos, ofegante. Ficou claro que a sua cabeça ainda doía, pois suas sobrancelhas estavam profundamente franzidas.
Ao ver a mãe parada imóvel na porta do seu quarto, Jorge primeiro se surpreendeu, depois perguntou com a voz rouca e irritada: — Mãe, o que a senhora está fazendo aqui?
Yara, com a expressão sombria, apontou para o lado do filho: — Ainda me pergunta? Olhe para si mesmo primeiro!
Jorge pasmou. Instintivamente puxou um pouco a ponta do cobertor e descobriu que estava nu. Além disso, havia marcas nítidas de arranhões em seu braço e peito. Seus olhos escureceram no mesmo instante.
Virou-se e viu o rosto pálido de Sabrina Saraiva colado ao seu lado.
— O que aconteceu? — A mente de Jorge ficou completamente em branco num piscar de olhos e, chocado, recuou rapidamente.
Com os movimentos tão bruscos, a cama tremeu violentamente.
Foi nesse momento que Sabrina acordou, assustada com a agitação do colchão.
Assim que viu Jorge na mesma cama, seu rosto encheu-se de horror. Ela gritou e sentou-se rapidamente: — Ah!
No segundo seguinte, o corpo de Sabrina, cheio de roxos e vermelhões, exibiu-se descaradamente diante dos olhos de todos.
Jorge arregalou os olhos, incrédulo. No instante seguinte, virou o rosto para longe e o seu corpo inteiro endureceu-se.
Observando a reação dele, Sabrina então se deu conta de que estava sem roupas. Ao olhar para baixo e ver o próprio estado de vulnerabilidade e devastação, o seu rosto ficou pálido de susto. Puxou depressa o lençol para se cobrir.
O corpo frágil e pequeno tremia sem parar. Lágrimas de mágoa começaram a rolar pelo rosto.
Ao ver a cena deplorável do filho, Yara Inácio também sentiu um mal-estar tremendo. — Vistam-se e saiam.
Dito isso, saiu do quarto, sem esquecer de encostar a porta.
Depois, começou a recolher as próprias roupas. Mas todas as peças que ela pegou estavam despedaçadas. Suas roupas tinham sido rasgadas por completo, não havia nenhuma para vestir.
Jorge estacou, olhando para as peças de tecido arruinadas.
Fui eu que fiz isso também?
Uma culpa esmagadora e um profundo constrangimento apoderaram-se dele, a ponto de não saber mais como olhar para o rosto dela.
— Eu... — Tentou balbuciar alguma coisa, mas ao encarar o semblante sofrido e aos prantos de Sabrina, a voz faltou-lhe.
Ele se sentiu um verdadeiro canalha.
Percebendo que as roupas não tinham salvação, Sabrina não aguentou mais. Enrolada na coberta, saiu do quarto, fugindo a chorar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!