Como hoje era fim de semana, tendo ficado de repente livre, Alice não sabia ao certo o que deveria fazer.
Durante os sete anos em que esteve casada com Jorge, em cada fim de semana anterior, ela ou levava Júlio para a casa principal e passava os dias lá cuidando da família Cavalcanti inteira, ou ficava em casa, aprendendo a cozinhar com Dona Ester ou cuidando de Jorge.
Parecia que há muito tempo ela não fazia nada por si mesma, nem parava para pensar no que realmente gostava.
Porém, pensando bem, as coisas sempre pareceram ser assim em seus 28 anos de vida.
No passado, quando estava na família Santos, ela vivia sob o rígido controle do seu avô. Depois, o avô faleceu e Natália Santos, a verdadeira filha, foi trazida de volta. Ela, a falsa herdeira, fora expulsa de maneira miserável. Depois disso, uma série de acontecimentos inesperados a ligou a Jorge, o que acabou levando ao casamento e ao nascimento de Júlio.
Parecia que nunca teve a chance de ser verdadeiramente ela mesma, a ponto de, com o passar do tempo, nem mesmo ela saber como era de verdade.
Alice ficou sentada na cama divagando; já que não conseguia pensar no que fazer, era melhor não forçar. Deixar as coisas acontecerem naturalmente também era uma forma de seguir o coração.
Ela se levantou, fez sua higiene, comeu simplesmente dois ovos cozidos, trocou de roupa e preparou-se para ir ao supermercado.
Depois de pedir comida e comer fora sem parar nos últimos tempos, hoje ao meio-dia ela não queria mais pedir delivery. Portanto, decidiu ir comprar alguns ingredientes.
De manhã, as verduras no supermercado eram as mais frescas.
Enquanto escolhia as verduras com calma baseada em seu gosto, de repente, ouviu alguém chamá-la pelo nome.
— Alice?
A mão dela parou no meio do ar enquanto pegava os vegetais. Ela levantou o olhar e viu um homem de meia-idade vestindo uma camisa branca; a aparência do homem era familiar, mas Alice não conseguiu lembrar de imediato quem ele era: — Quem é o senhor?
— Sou eu, Hugo Oliveira! Filho de Otávio Oliveira! Nós já nos vimos no passado. — O homem apresentou-se com um olhar emocionado.
O nome Hugo Oliveira soava desconhecido para ela, mas o nome Otávio Oliveira era um que lhe era familiar e inesquecível: — Sr. Oliveira!
Otávio Oliveira. O senhor idoso que um dia lhe ensinou xadrez profissional.
A notícia que obteve foi de que ele havia voltado à sua terra natal para descansar na velhice.
Pela aparência e estado atuais de Hugo, era evidente que, na época, Simão Santos havia mantido sua promessa e não dificultara a vida da família Oliveira.
— Poder encontrá-la novamente é algo maravilhoso. — Hugo estava claramente muito contente por revê-la. — Antes de partir, meu pai não parava de murmurar sobre você, dizendo que era uma criança de enorme talento. Que nasceu para jogar Xadrez Profissional. É apenas uma pena que ele não pôde acompanhar você para continuarem jogando juntos.
O olhar de Alice tornou-se obscuro: — Me desculpe, eu, naquela época...
— Você não precisa se desculpar, meu pai compreendeu sua situação. Ele disse que, se não fosse por uma grande amargura ou dificuldade imposta, você jamais teria cortado repentinamente o contato. Muito menos iria participar dos torneios às escondidas.
Enquanto falava, Hugo recordou de algo importante: — A propósito, meu pai deixou algo para você. Antes de falecer, ele me encarregou expressamente de entregar essas coisas a você a qualquer custo. Mas, como depois disso nunca consegui entrar em contato com você, os itens permaneceram guardados comigo o tempo todo.
— Uma lembrança deixada? O que seria? — Alice não imaginava que o Sr. Oliveira teria deixado algo especialmente para ela.

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