Entrar Via

Não Chore Por Um Homem Inútil romance Capítulo 8

Era coincidência demais.

Será que Beatriz descobriu algo?

Impossível!

Mesmo que ela o amasse profundamente e pudesse entender os motivos dele, se realmente tivesse notado algo estranho, não ficaria em total silêncio.

Afinal, ela o amava demais.

Ela com certeza faria uma cena de ciúmes.

Ele com certeza estava pensando demais...

Durante o seu transe, o celular em sua mão tocou abruptamente.

Enzo olhou o número e atendeu: — Sr. Avila, más notícias! As ações do grupo despencaram no limite logo de manhã!

**

A abertura do mercado teve apenas quinze minutos, mas Beatriz usou várias contas associadas para pendurar ordens de venda absurdas nas ações do Grupo Vértice.

Os pequenos investidores viram a pressão colossal de venda, acreditaram que a empresa tinha sofrido alguma grave perda e fugiram em pânico.

As ordens de compra foram rapidamente devoradas e o preço das ações despencou direto.

Depois disso, enquanto Beatriz não cancelasse as ordens, a queda permaneceria selada e ninguém conseguiria abrir a negociação.

Quem destrata a esposa perde a sorte, Enzo. Já que você não entende esse princípio, vou te dar uma bela lição!

Beatriz chegou alegremente ao ateliê depois daquilo.

O seu ateliê ficava em uma rua centenária à beira do rio, em um prédio de dois andares com tijolos cinzentos e a fachada coberta de hera.

A placa de latão na porta dizia: Ateliê Chroma.

O espaço lá dentro não era tão grande. O primeiro andar era seu espaço privado de perfumaria, e o segundo abrigava o estoque de matérias-primas.

Vestindo um avental de linho, com o longo cabelo frouxamente preso atrás da cabeça, ela começou a usar o destilador de cobre para extrair os óleos essenciais puros após o resfriamento das pétalas.

Em um mês, ela participaria de uma competição internacional chamada Grand Prix de Parfumerie.

O organizador era o Grupo Aurea, uma marca nacional de luxo de primeira linha.

O império comercial envolvia perfumes, roupas, joias e artigos em couro, mas o setor de fragrâncias tinha a maior fatia.

Beatriz levava esse campeonato muito a sério. Se ela pudesse ganhar, além de ter a oportunidade de cooperar com o Grupo Aurea, ganharia também certo reconhecimento.

Ela deixaria de ser apenas aquela Beatriz que ninguém conhecia, exceto quando estava ao lado de Enzo.

Embora a revelação de sua identidade oculta de magnata financeira fosse o bastante para lhe render imensa fama, ela não queria flores e aplausos com aquela identidade.

Envolver-se em finanças foi por causa de Enzo. Aquilo não era honra, era humilhação.

Ela também odiava aqueles números frios, que levavam as pessoas à loucura e destruíam famílias.

Ela queria brilhar pelo próprio sonho.

Nos últimos dois dias, para dar um tapa na cara daquele casal repugnante, o seu cronograma atrasou.

A partir de agora, ela precisava se dedicar completamente à competição...

Pegou o desenho, olhou seriamente por alguns segundos e disse sorrindo: — O desenho ficou bom. A tia também sabe desenhar galinhas. O que acha de eu desenhar uma para você ver?

— Claro.

Sophia concordou rapidamente.

Beatriz pegou a caneta da mão dela, foi até a mesa de centro e, em poucos traços, desenhou uma galinha, igualmente gorda, no espaço em branco da folha.

A diferença é que, debaixo da galinha, rolou um ovo.

A casca do ovo era preta, do rachado saía um líquido que parecia pus, e havia moscas em cima dele.

Beatriz sorriu e apontou para o desenho: — Está vendo? A sua é uma galinha velha que não põe ovos. A minha galinha consegue botar, mas botou um ovo podre, então ela é uma galinha que botou um ovo podre.

Embora a capacidade de compreensão dela fosse limitada, Sophia sabia que o desenho de Beatriz definitivamente não era algo bom.

Ela a estava chamando de podre!

Sophia fugiu com raiva carregando o desenho.

Beatriz subiu as escadas.

Queria tomar um banho para tirar o cansaço do corpo.

Talvez por a água estar tão agradável, ela acabou caindo no sono na banheira.

Se não fossem as batidas apressadas na porta que a acordaram, não saberia até quando continuaria dormindo.

Beatriz se vestiu para abrir a porta e, assim que a abriu, a babá que estava lá fora falou apavorada: — Senhora, que desastre! Aconteceu uma coisa terrível, vá depressa para o quintal dar uma olhada!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Chore Por Um Homem Inútil