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Não Chore Por Um Homem Inútil romance Capítulo 10

O marido dela, aquele que ela tinha amado por toda a juventude, após ela ter perdido o jardim que cultivou com sangue e suor, não ofereceu nenhuma palavra de consolo ou cuidado.

Em vez disso, por causa de uma criança sem laços de sangue e ignorando a verdade, ele a criticou no primeiro instante.

Beatriz queria rir.

Muitas coisas recentes pareciam absurdas e ridículas.

— Deixe que ela mesma fale: fui eu que mandei que ela se ajoelhasse? — Beatriz mirou a garotinha friamente.

Sophia ergueu a cabeça e balançou-a como um tambor de imediato: — A tia Beatriz não me mandou ajoelhar, fui eu quem cometeu um erro e devo ser castigada.

Só então Enzo percebeu que tinha entendido a esposa de forma errada.

Ele soltou a garota e um traço de desculpas cruzou seu olhar: — Desculpa, foi um mal-entendido meu.

— Então agora que você já entendeu, como pretende lidar com o problema?

Beatriz nem de longe esperava que ele fizesse qualquer tipo de justiça por ela.

Enzo já sabia dos detalhes pelo telefonema; foi abraçá-la pelos ombros com um sorriso conciliador: — Tudo bem, a Sophia é apenas uma criança e não foi por mal. Não há necessidade de implicar com uma criança.

— Você não sabe o quanto esse jardim é importante para mim?

Não era que Enzo não sabia.

É que a importância dela, para ele, não significava nada.

Mais uma vez assumindo um tom de desprezo, ele comentou indiferente: — De que adianta você ficar brincando com essas especiarias o dia todo? Será que você realmente espera se tornar uma Mestre perfumista um dia? Pare de sonhar e cumpra seu papel de Sra. Avila em casa. Quando minha doença curar, teremos um filho. Cuidar bem do seu marido e educar a criança será a maior glória da sua vida.

Beatriz escutou essas palavras calmamente.

Recordou-se da época do namoro, quando ele disse: "Eu te sustento". Naquela ocasião, achou que era uma declaração de amor; com seus dezoito ou dezenove anos, sentiu o coração transbordar de alegria e emoção.

Só agora percebia que, na verdade, era uma profecia.

Uma profecia de que ele iria aprisioná-la na rotina trivial, apenas para ele aplaudir os sonhos dos outros.

Beatriz não pôde evitar o riso.

A atitude atípica dela fez Enzo entrar em pânico de modo inexplicável. Mudando de assunto, ele a tentou apaziguar: — Tudo bem. Se você gosta de mexer com perfume, então mexa, mas o que queimou, queimou. Não seja dura com a Sophia, depois vou mandar importar um novo lote de flores do exterior para você.

— E isso vai ficar por isso mesmo? Uma criança cometeu um erro e não pode assumir a responsabilidade, os adultos não deveriam dar uma satisfação? Como diz o ditado, se a criança não tem educação, a culpa é dos pais. Os pais deveriam, no mínimo, pedir desculpas sinceramente!

Beatriz virou-se em direção à porta; ela sabia que Helena estava ali.

E então Helena falou calmamente: — Sinto muito, Beatriz. Mesmo se você não tivesse pedido, eu pediria desculpas. Foi mesmo minha culpa não ter educado a criança direito, o erro foi meu.

Enzo se recuperou do choque e abraçou a criança, que chorava histericamente, no colo.

Irritado, ele esbravejou: — Era só para pedir desculpas, por que você precisou bater na criança?

Helena encarou a filha: — Se hoje ela pôde incendiar o jardim, amanhã pode acabar demolindo esta casa. Esse tapa foi para que ela nunca esqueça a lição, evitando que apontem o dedo e digam que não tem educação no futuro.

Enzo ficou com o coração completamente partido.

Vendo a marca vermelha dos cinco dedos no rosto de Sophia, ele estendeu a mão para acariciá-la.

Sophia recuou um passo, fazendo um esforço imenso para conter as lágrimas nos olhos: — Tio Enzo, não foi nada, não foi nada, não doeu, não doeu mesmo...

Apesar de dizer que não doía.

As lágrimas rolavam soltas como um colar de pérolas arrebentado.

A cena de drama de mãe e filha enfim alcançou o coração do homem.

Enzo levantou-se enfurecido: — Beatriz, agora está feliz? Está feliz por ter chegado aonde queria? Sequer consegue tolerar uma criança! Por que fui escolher logo você? Que grande cego eu fui!"

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