Após um longo silêncio.
Ele não conseguiu se conter e tentou argumentar:
— Diretor Serra, eu acho que não é bem assim.
— Já se passaram três anos. A Srta. Tavares deve ter superado muitas coisas e entendido outras. Não é certeza que ela ainda guarde rancor do senhor. Quem sabe ela até não desejaria que o senhor estivesse vivo?
Gustavo permaneceu em silêncio, de olhos baixos.
Ele ficou quieto por um longo tempo, depois ergueu a mão para apagar a bituca do cigarro no cinzeiro. Sua voz fria soou rouca:
— Não precisa dizer mais nada. Do jeito que está, está bom.
— Uma pessoa que desapareceu há três anos reaparecer agora não traria benefício a ninguém. A Cecília está vivendo feliz com a criança, não tenho motivos para perturbar a vida delas.
*Será mesmo?* Pensou Nathan.
Ele torceu a boca, cético. *Difícil acreditar.*
Não sabia quem era que, nos últimos dois anos no exterior, enchia a cara no meio da noite e ficava gritando feito louco:
— Cecília.
— Cecília.
— Cecília.
Com certeza não era o sábio e imponente Diretor Serra, certo?
Imagina se seria.
Nathan realmente não tinha mais argumentos. Ele não entendia por que aquele homem continuava com essa teimosia toda a essa altura do campeonato.
Nathan soltou um suspiro pesado e, sem poder falar muito mais, murmurou baixinho:
— A pequena senhorita também é digna de pena, sabe? As crianças da creche ficam zombando dela escondido, dizendo que ela não tem pai.
Nathan admitia que disse aquilo de propósito na frente de Gustavo.
E funcionou.
O rosto de Gustavo escureceu instantaneamente. Ele ergueu os olhos frios e questionou com voz grave:
— Que creche é essa? Como as crianças podem ser tão mal-educadas? O que os professores estão ensinando?
— Mande demitir os professores... Não, espera. Melhor mudar a Candy para uma creche melhor.
O instinto de Gustavo de resolver tudo e se preocupar aflorou na hora. Ele já estava acostumado.
*BAM!* Um som abafado ecoou.
O cinzeiro foi arremessado com violência contra a parede, abrindo um buraco no reboco.
O corpo de Nathan gelou e ele abaixou a cabeça assustado, repuxando o canto da boca num sorriso nervoso enquanto pensava: *Viu só?*
*Já ficou estressado de novo.*
*Não aguenta ouvir a verdade.*
Gustavo ergueu o olhar gelado para ele:
— Você está falando demais ultimamente, não acha?
Nathan balançou a cabeça rapidamente:
— De jeito nenhum.
Ele fez uma pausa. Já que estava na chuva, era para se molhar. Que viesse a tempestade!
Nathan cerrou os dentes, fechou os olhos e soltou a bomba de uma vez, falando rápido:
— Diretor Serra, a Srta. Tavares está planejando ir a um encontro hoje. Ela está pensando em arrumar um padrasto para a pequena senhorita!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir
Pessoal aqui da plataforma,agora que os capítulos são pagos eles tem que pelo estarem completo tem capítulos aqui que estão incompleto dificultando o entendimento da história por favor revisem para nós leitores não ficarmos sem a história completa 😕...