Cecília baixou o olhar para a caixa de presente elegantemente embalada nas mãos de Nathan. A expressão em seu rosto liso e refinado era obscura e indecifrável.
Ela sorriu e disse: — Nathan, obrigada pelo esforço de vir entregar presentes todo ano.
— Pode deixar isso aí por enquanto. Eu vejo depois, quando tiver tempo.
Na verdade, Cecília nunca abriu os presentes que Nathan trazia.
Nathan concordou e não insistiu. Algumas coisas eram tacitamente compreendidas por todos, não havia necessidade de serem ditas claramente.
Candy olhava curiosa para Nathan, piscando seus grandes olhos negros e redondos, e perguntou com sua voz infantil:
— Mamãe, quem é esse tio que manda presentes para você todo ano? Por que ele mesmo não vem entregar?
No momento em que a dúvida inocente de Candy foi dita, todos ao redor caíram em silêncio.
O que fazer?
Deveriam dizer a uma criança de três anos que a pessoa que enviava os presentes era, na verdade, o pai dela, e que ele não vinha porque...
Porque ele já havia falecido.
Isso seria cruel demais.
Cecília colocou Candy no chão e a consolou suavemente: — Não é ninguém específico, muita gente manda presentes para a mamãe todo ano.
— Candy, vai brincar com a vovó. A mamãe tem um assunto para falar com o Sr. Nathan.
Cecília empurrou levemente Candy, tentando desviar sua atenção.
Crianças perdem o interesse rápido, são curiosas com tudo e têm dificuldade de concentração.
Como esperado.
Com o assunto desviado, Candy logo jogou a dúvida de agora há pouco para o fundo da mente e correu alegremente na direção de Aurora Rocha, dizendo enquanto corria:
— Tá bom então, mamãe! Eu vou brincar com a vovó, viu?
Cecília riu da vozinha de bebê dela.
Candy superestimou sua capacidade de navegação.
Quase assim que saiu e deu algumas voltas, ela se perdeu.
Candy ficou parada, desamparada, no corredor vazio. A paisagem ao redor parecia toda igual, ela não conseguia distinguir, e também não achava o banheiro. Seu beicinho tremeu e, de repente, ela teve vontade de chorar.
Candy ficou ali sozinha, se sentindo indefesa. Ela levou a mão aos olhos para enxugar as lágrimas e começou a chorar com os olhos vermelhos e assustados.
— Buááá... Mamãe, mamãe, onde você está? Mamãe...
— Buá... Mamãe, mamãe... Papai...
Candy chorava cada vez mais triste. Por fim, ergueu a cabecinha para o teto alto e, instintivamente, quis chamar pelo pai.
Ela não tinha pai.
Mas não sabia por que, sempre que encontrava dificuldades e queria chorar chamando pelo pai, parecia ser um instinto gravado em seus ossos desde o nascimento.
Candy enxugava as lágrimas, chorando de cortar o coração: — Buááá, mamãe, papai...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir
Pessoal aqui da plataforma,agora que os capítulos são pagos eles tem que pelo estarem completo tem capítulos aqui que estão incompleto dificultando o entendimento da história por favor revisem para nós leitores não ficarmos sem a história completa 😕...