Cecília não sabia como havia conseguido caminhar até a porta do quarto.
O dia estava ensolarado, a luz do sol brilhava, iluminando o interior do quarto e aquecendo suavemente quem estava lá dentro.
Cecília espiou pela janela de vidro da porta e viu uma pessoa deitada, em repouso, na cama hospitalar.
Fernando tinha uma expressão serena e lia um livro com a cabeça baixa.
Ele ainda tinha ataduras pelo corpo; parecia que seus ferimentos não estavam totalmente curados. A luz do sol entrava pela janela e o envolvia silenciosamente, criando um halo difuso ao seu redor, o que dava a ele uma aparência quase irreal.
Cecília ficou atordoada por um instante, seus lábios tremeram e ela apertou as pontas dos dedos com força.
Ela parecia ter perdido a voz momentaneamente, paralisada no lugar, sem saber como reagir.
O Fernando estava vivo?
Ele estava realmente vivo?
Ali, bem na frente dela, vivo e bem.
Então o Gustavo...
Cecília de repente sentiu que não conseguia aceitar aquilo.
Ela estava à beira de um colapso, sem saber se deveria ficar feliz por Fernando estar vivo, ou se deveria sentir por causa de...
Cecília recuou um passo, com o corpo rígido, as mãos e os pés gelados. Seus olhos estavam fixos no homem bonito e de traços gentis dentro do quarto. Ela cobriu a boca com a mão trêmula e, finalmente, não conseguiu conter as lágrimas que avermelharam seus olhos.
Cristiano se aproximou e a abraçou, suspirando levemente, e perguntou com doçura:
— Cecília...
— Quer entrar para vê-lo?
Cecília permaneceu em silêncio.
De repente, ela sentiu medo, mas não sabia exatamente do que tinha medo.
Depois de um longo tempo.
Cecília disse com a voz rouca:
— Irmão.
— Eu quero ficar um pouco sozinha.
Os cílios de Cecília tremeram. Após um longo silêncio, ela perguntou com a voz rouca:
— Por quê...?
Cecília estava confusa.
Fernando levantou a mão e afagou a cabeça dela. Sob a luz do sol, seus traços eram tão gentis e delicados, como um vizinho mais velho, atencioso e carinhoso.
Fernando baixou os olhos, pensou por um momento e disse suavemente:
— O seu irmão já me contou tudo o que aconteceu na Cidade Liberdade, incluindo sobre o Gustavo.
— Cecília, me desculpe. Eu não imaginava que a minha morte te afetaria tanto, a ponto de influenciar seu relacionamento com o Gustavo.
Uma profunda culpa transpareceu no rosto elegante de Fernando.
— Sinto muito, eu nunca quis atrapalhar você e o Gustavo.
— Eu pensei originalmente que, tendo escapado da morte por sorte e sobrevivido, poderia viver recluso nesta cidadezinha remota na Serra, levando a vida tranquila que eu sempre quis.
Fernando ergueu lentamente os olhos para olhar para a frente. Sua voz, suave como uma nascente, lembrava o fluxo de um riacho na montanha, trazendo uma sensação de conforto e calor apenas ao ouvi-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir
Pessoal aqui da plataforma,agora que os capítulos são pagos eles tem que pelo estarem completo tem capítulos aqui que estão incompleto dificultando o entendimento da história por favor revisem para nós leitores não ficarmos sem a história completa 😕...