Cecília Tavares estava completamente atordoada.
Até o momento em que embarcou no avião rumo à Serra, ela ainda não conseguia recobrar a consciência.
Cristiano Tavares permanecia ao seu lado, baixando os olhos para observar o estado de torpor de Cecília, e um traço de dor inevitável cruzou seu olhar.
Ele segurou suavemente a mão de Cecília, que tremia sem controle, e a consolou.
— Cecília.
— Não tenha medo, seu irmão vai ficar com você.
A mente de Cecília era incapaz de processar qualquer pensamento.
Ela olhava fixamente para a frente, com os lábios pálidos e sem sangue, tremendo, incapaz de encontrar a própria voz por um longo tempo, até que murmurou com a garganta rouca.
— Irmão...
— Você acha que, neste mundo, existe realmente algo chamado destino?
Cristiano ficou em silêncio.
Ele franziu levemente a testa, levantou a mão para afagar a cabeça dela e disse com carinho:
— Sua bobinha, não fique pensando nessas coisas.
— Será?
Cecília baixou lentamente os cílios, e um sorriso amargo curvou seus lábios involuntariamente.
— Mas, irmão, eu sinto que o destino gosta especialmente de brincar comigo.
— Antes, quando o Gustavo Serra ainda estava aqui, eu sempre achei que o Fernando tinha morrido de verdade. Eu sentia que tinha sido eu quem o matou, e meu coração nunca conseguiu superar essa barreira.
— Mas agora, o Gustavo morreu, e vocês me dizem que o Fernando, na verdade, está vivo...
Uma expressão de desorientação passou pelo rosto delicado e liso de Cecília. Ela estava terrivelmente pálida, como uma folha de papel frágil que cairia ao menor sopro de vento. Toda a sua figura exalava uma fragilidade confusa que partia o coração de quem via.
Cecília estava com os olhos vermelhos; ela não sabia que sentimento deveria ter naquele momento, nem qual emoção expressar, se deveria chorar ou rir.
Ela apenas achava tudo muito absurdo.
Cecília não sabia explicar o que sentia; era uma mistura de amargura e dor que apertava o peito.
Cristiano não suportava ouvi-la falar daquela maneira. Passou o braço pelos ombros dela, abraçando-a, e tentou consolá-la com voz suave.
— Cecília, não pense assim.
— Não existe divindade neste mundo, nem destino; tudo é feito pelas mãos dos homens.
— O Fernando foi encontrado porque o Gustavo gastou muito esforço e nunca desistiu, investindo uma enorme quantidade de recursos humanos e materiais. Eu lamento muito a morte do Gustavo, mas isso foi um problema do pai dele, e não tem nada a ver com você.
Cristiano dava tapinhas leves e constantes nas costas de Cecília, soltou um longo suspiro e continuou a consolá-la pacientemente.
— Cecília, pare de pensar nisso. Já passou.
— Mesmo sem você, certas coisas teriam acontecido de qualquer maneira.
Herbert Futuro era um homem ambicioso. Independentemente da existência de Cecília, isso não o impediria de querer engolir a Família Rocha e atacar o Fernando.
Também não o impediria de perder o controle com a rebeldia de Gustavo e, num acesso de fúria, querer tirar a vida do próprio filho biológico para começar do zero com outro herdeiro, alguém que ele pudesse controlar firmemente como uma marionete sem pensamento próprio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir
Pessoal aqui da plataforma,agora que os capítulos são pagos eles tem que pelo estarem completo tem capítulos aqui que estão incompleto dificultando o entendimento da história por favor revisem para nós leitores não ficarmos sem a história completa 😕...