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Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir romance Capítulo 445

Cristiano estava num dilema.

Ele não tinha coragem de contar a verdade a Cecília.

Mas Aurora estava certa. Como poderiam impedir Cecília de levar Candy ao funeral de Gustavo?

Afinal, ele era o pai da criança e também... o amigo de infância de Cecília.

Cristiano pensou por um instante e disse:

— O avô João Serra chega de avião hoje à noite para o funeral. Vamos perguntar a ele o que fazer.

Aurora assentiu, suspirando com pesar:

— É o único jeito.

No andar de cima.

Cecília finalmente conseguiu fazer Candy dormir.

Com a bebê no colo, ela se aninhou no banco estofado da janela, segurando o celular na mão.

A tela mostrava a conversa com Gustavo.

Ele havia enviado uma enxurrada de mensagens. Cecília passou os olhos por elas, e seu olhar parou em uma mensagem de áudio.

Ela baixou os cílios. Seu rosto delicado não demonstrava qualquer emoção, uma calma tão absoluta que chegava a ser estranha, causando desconforto em quem visse.

Ela ficou em silêncio por um tempo. Então, estendeu o dedo fino e pálido e clicou no áudio.

Do celular, saiu a voz familiar de Gustavo, fria como a neve, mas carregada de uma rouquidão e uma complexidade indescritível, misturada ao som do vento uivante, o que tornava difícil ouvir com clareza.

— Cecília, cuide bem da bebê.

— Eu amo vocês...

As pupilas negras de Cecília contraíram-se levemente.

Ela baixou os cílios, apertou os lábios suavemente e ficou em silêncio.

Passou-se um bom tempo.

Os cílios de Cecília tremeram. Com movimentos gentis, ela deu tapinhas leves no corpinho macio de Candy e murmurou pensativa:

— Docinho.

Ao ouvir a história, João deixou as lágrimas caírem. Sua mão direita apertou a bengala com força, e ele soltou um suspiro pesado de arrependimento.

— Ah, a culpa é minha, é toda minha!

— Eu não devia ter sido brando e apenas expulsado o Herbert do país. Se eu tivesse sido mais duro e o entregado direto para a polícia, isso não teria...

Aurora acariciou levemente as costas dele, consolando-o entre soluços:

— Senhor João, não se culpe. Dizem que nem o tigre devora seus filhotes, quem poderia imaginar que o pai do Gustavo seria tão cruel a ponto de arrastar o próprio filho para a morte.

Como João poderia não se culpar?

Ele enxugou as lágrimas com as costas da mão e perguntou apressado:

— E a Cecília? Ela sabe disso? Como ela e a criança estão?

Aurora balançou a cabeça, com expressão preocupada:

— A Cecília ainda não sabe, não tivemos coragem de contar.

— Senhor João, o funeral do Gustavo será em poucos dias. Não podemos adiar muito. A polícia não encontrou o corpo dele, ainda estão procurando. No local, só restou o carro carbonizado pela explosão. O legista disse que... praticamente não há chance de sobrevivência.

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