As finas partículas de névoa penetraram no tecido do terno e grudaram firmemente. Apenas algumas gotas minúsculas, acompanhando o vento, roçaram de leve a pele do queixo de Carla.
Essa cena aconteceu tão de repente que o ar congelou.
As risadas, a música e o som de taças batendo pararam abruptamente em todo o salão, e todos os olhares se fixaram nas pessoas ali.
Na multidão, o rosto de Ricardo ficou pálido, e ele gritou com raiva: — Lucas, o que você está fazendo?
Ricardo caminhou rapidamente até Carla e, com os cantos dos olhos vermelhos, perguntou: — Você está bem?
Carla levantou-se dos braços de Antonio e olhou furiosa para Ricardo: — Se o seu filho tivesse borrifado isso no rosto da Beatriz agora, as consequências seriam impensáveis. O que você planeja fazer com o seu filho e a sua namorada?
Felizmente, Cecília estava segurando Beatriz de pé ao lado, e não se agachou.
Ricardo respirou fundo e não respondeu à pergunta de Carla. A sua mente girava rapidamente, e ninguém sabia o que ele estava pensando.
Carla entendeu imediatamente que, por maior que fosse o erro cometido por Lucas e Natália, ele não os puniria.
Mas com Sr. Varela era diferente, afinal, quem se feriu foi Antonio.
A família Varela correu para lá, e Dona Cecília demonstrou preocupação urgente para saber se o filho havia se ferido.
Antonio sentiu que a dor de queimadura ardente em suas costas perfurou o tecido instantaneamente, corroendo a pele e a carne, sendo aguda e duradoura.
Sr. Varela gritou imediatamente: — Chamem a ambulância e a polícia!
Vendo que a situação estava ruim, Lucas tentou fugir, mas Antonio foi rápido e o segurou, perguntando com os olhos arregalados de raiva: — O que você borrifou?
O spray na mão de Lucas era a pimenta de alta concentração que Luna havia dado.
Luna sempre carregava aquela versão personalizada de spray anti-lobo.
Ela sabia muito bem que, se borrifado continuamente a curta distância no rosto, poderia queimar a pele, danificar as córneas e causar cicatrizes permanentes.
Ela queria arruinar o rosto de Carla.
Lucas foi tão mimado por Natália que não respeitava regras. Quando Natália o instigou há pouco, disse a ele que, se arruinasse o rosto de Carla, a mulher má não poderia mais trazer a irmã irritante para roubar o papai.
Lucas concordou sem hesitar; ele odiava Carla e Beatriz.
Lucas manteve os lábios fechados e se recusou a falar. Sr. Varela instruiu diretamente as pessoas ao seu redor: — Entreguem Natália e o filho dela para a polícia. Uma criança de quatro anos não conseguiria pegar coisas perigosas. Mas os adultos sim.
Natália foi imobilizada e gritou desesperada: — Ricardo, o Lucas só estava brincando!
Ricardo tentou ajudar: — Sr. Varela, primeiro veja os ferimentos do jovem senhor Antonio antes de tomar uma decisão. Minha namorada sempre foi bondosa, e meu filho não conseguiria pegar coisas para machucar as pessoas.
Abraçada nos braços de Antonio, Carla ainda sentia um frio cortante.

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