Ela disse isso enquanto tirava uma foto do álbum e a entregava para Lavínia.
“É ele? É ele?”
Lavínia, com um simples olhar, já sabia que aquele homem era Arnaldo, e assentiu levemente com a cabeça.
“É ele.”
“Ah, que maravilha! Eu sou fã dele há tanto tempo, sempre quis encontrar uma oportunidade para vê-lo de perto, e não imaginei que ele fosse seu colega do ensino médio.” Betina balançava a mão de Lavínia, manhosa.
“No dia da festa de encerramento das gravações, você pode me levar junto? Eu realmente quero muito conhecê-lo.”
No olhar de Lavínia passou um traço de constrangimento. “Eu adoraria te levar, mas essa é a festa do Arnaldo, não sou eu quem decide.”
O olhar de Betina foi ficando cada vez mais apagado. “Ah, então tá bom…”
Lavínia não suportava ver sua melhor amiga tão abatida. Depois de pensar um pouco, disse: “Vamos fazer assim, vou ligar para o Arnaldo, avisar sobre você e perguntar se ele permite que você vá. Se ele concordar, eu te levo.”
“Oba!” O olhar de Betina voltou a brilhar. “Você é a melhor do mundo para mim!”
“Pra que tanta cerimônia entre nós?”
Lavínia sorriu, deu um tapinha no ombro de Betina e, abaixando a cabeça, procurou o contato do Arnaldo para ligar e contou-lhe sobre o pedido de Betina.
Do outro lado, Arnaldo ficou em silêncio por um longo tempo antes de responder: “Desculpe, receio que não seja possível.”
Lavínia achava que Arnaldo aceitaria, mas a resposta dele a surpreendeu um pouco.
“Por quê?”
“Porque a maioria das pessoas presentes serão nossos colegas do ensino médio, eles só querem aproveitar para conversar e relembrar os velhos tempos sem a presença de pessoas de fora. Espero que você compreenda.” Esse motivo dado por Arnaldo, na verdade, era inventado. O verdadeiro motivo era que ele não queria que Betina fosse junto.
Afinal, aquela suposta festa de encerramento não passava de uma fachada; o verdadeiro objetivo era um pedido de casamento.
Além disso, pelo tom de Lavínia, Betina provavelmente era uma fã dele bastante entusiasmada.
Na manhã desse dia, Lavínia ainda dormia quando Betina a acordou para começar a produção.
Lavínia sentou-se à frente do espelho de maquiagem, os olhos semicerrados, enquanto Betina mexia em seu rosto.
“É só um encontro simples com colegas do ensino médio, não precisa ser tão exagerado, né?”
“Como assim não precisa?” Betina não parava as mãos. “Na festa vão estar vários famosos, e você precisa se destacar entre eles, senão é um desperdício ter um rosto tão lindo.”
Quando se abaixou para pegar uma paleta de sombras e endireitou o corpo novamente, continuou: “E ainda, indo com o visual e a maquiagem que eu preparei, você vai brilhar muito mais que todas lá. Assim, eu também fico em destaque na frente do Arnaldo, meu ídolo.”
“Você é mesmo persistente com o Arnaldo.” Lavínia não entendia muito bem a motivação de Betina, mas resolveu seguir o ritmo da amiga e fechou os olhos, deixando-a trabalhar. “Já que você pensa assim, então faça logo, não vou te atrapalhar.”
Foram três horas inteiras até que Betina finalizasse o delineado perfeito nos olhos de Lavínia, deixando a maquiagem impecável.
Ao abrir levemente os olhos, a imagem refletida no espelho era de uma beleza estonteante, quase sobrenatural, como uma ninfa cuja graça e encanto eram irresistíveis.

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