Lavínia não sabia de nada sobre a família Cordeiro, tampouco se importava em saber. Além disso, havia um acontecimento emocionante prestes a ocorrer, do qual ela também não tinha conhecimento.
“Sr. Rocha, foi o senhor quem nos chamou para discutir os detalhes do pedido de casamento, mas até agora ainda não apareceu. Onde está o senhor?” Givaldo segurava o celular com uma expressão de resignação.
Era o mesmo bar do último encontro, a mesma sala reservada, e mais uma vez eles três chegaram adiantados, enquanto Arnaldo... sempre era o último a chegar.
Arnaldo respondeu com um sorriso constrangido: “Eu também não esperava, o parceiro de negócios pediu de última hora para eu gravar uma chamada. Mas desta vez vai ser rápido, esperem só mais um pouco, por favor.”
Sentado no meio do sofá, Roberto falou com indiferença: “Vamos esperar mais meia hora. Se em meia hora o senhor não chegar, nós vamos embora.”
Arnaldo prontamente concordou: “Está certo, está certo, sem problema, eu garanto que chego dentro de meia hora.”
Depois de desligar a ligação, Arnaldo gravou mais algumas cenas e, ao terminar, seguiu direto para o estacionamento, acelerando o carro até chegar ao bar.
Ao entrar na sala reservada e ver que Roberto e os outros ainda estavam lá, ele respirou aliviado.
“Ufa, ainda bem que consegui chegar a tempo.”
Vendo Arnaldo chegar tão apressado, Givaldo não pôde deixar de brincar: “Você está sempre tão ocupado, começo a duvidar se vai conseguir tempo no dia do pedido de casamento.”
“Claro que vou!” Arnaldo estufou o peito. “Isso é a coisa mais, mais, mais importante da minha vida. Se eu perder até isso, vou logo procurar uma parede para bater a cabeça.”
Givaldo apenas sorriu, sem responder.
Roberto, ao ouvir as brincadeiras, também esboçou um leve sorriso no canto dos lábios.
“Chega. Daqui a pouco tenho uma pilha de documentos para resolver, vamos direto ao assunto.”
Eles não tinham um relacionamento ruim?
Roberto esboçou um sorriso amargo, achando engraçada aquela afirmação.
“Eu nunca senti o menor afeto por ela. Se não fosse porque ela pediu ao Dr. Castilho para salvar minha avó, e depois, sabe-se lá como, conquistou a simpatia dela a ponto de minha avó insistir que eu me casasse, nós jamais teríamos nos casado.”
Ao mencionar isso, o desagrado e a rejeição ficaram evidentes em seu olhar.
Arnaldo, no entanto, não achava que a ex-esposa de Roberto fosse tão ruim quanto ele descrevia, e, franzindo a testa, discordou.
“Não concordo com o que diz. Ela salvou sua avó, tem uma dívida de gratidão com sua família. O único pedido dela foi que você se casasse com ela, só isso. Para mim, foi um acordo justo e claro, ela não usou de artifícios nem te manipulou. Você, Sr. Lourenço, já não sabia como a situação ia se desenrolar? Além disso, não acha que está sendo preconceituoso demais com ela? Não importa o que ela faça, parece que nunca te agrada. Mas, afinal, ela não fez nada de errado, fez?”

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