Noriel apertou levemente o copo d’água, mas seu semblante permaneceu sereno.
“Eu só considero Lavínia como uma irmã...”
Betina, ao notar o rubor nas orelhas de Noriel, não pôde deixar de rir.
“Ainda vai negar?”
As orelhas de Noriel esquentaram, e ele desviou o olhar, desconfortável.
“Não é isso.”
“Hmm.”
Betina não quis insistir mais naquele assunto, preferindo ajudá-lo com algumas sugestões.
“Pense bem, Lavínia é uma pessoa tão admirável, desde que se tornou adulta nunca lhe faltaram pretendentes. Agora ela se divorciou, perdeu completamente as esperanças naquele canalha e está justamente precisando de alguém que a ajude a curar as feridas do coração.”
“No momento, você é quem está mais próximo dela. Quem está perto tem vantagem, então por que não toma a iniciativa logo? Aproveite essa chance, ou vai acabar vendo outro levar e nem vai ter onde chorar.”
Noriel franziu levemente a testa.
“Já disse, não sinto esse tipo de coisa por ela.”
Ah, continua negando.
Ainda haveria tempo para se arrepender depois.
Betina fez um bico, pensou nisso e de repente sentiu uma vontade urgente de ir ao banheiro. Levantou-se rapidamente da cadeira.
“Vou ao banheiro rapidinho.”
“Tá bom.” Noriel respondeu com indiferença.
Assim que Betina saiu, Lavínia voltou da área dos temperos.
Ao ver que só Noriel estava sentado ali, não pôde deixar de perguntar, intrigada:
“Onde está a Betina?”
“Ela foi ao banheiro.”
Enquanto respondia, Noriel pegou um pedaço de peixe, retirou cuidadosamente as espinhas e colocou no prato de Lavínia.
“Acabei de experimentar esse peixe, não tem gosto forte. Prova também.”
O coração de Lavínia se aqueceu, ela sorriu agradecida.
“Obrigada.”
“Somos da mesma família, não precisa agradecer.” Noriel continuou tirando as espinhas do peixe para Lavínia.
Lavínia não apenas se sentiu feliz com a conversa, como também aproveitou a refeição, e o sorriso não saiu de seu rosto em nenhum momento.
A cena dos dois conversando e sorrindo foi vista por Ondina, que passava pela janela envidraçada do restaurante.
Ela parou, confirmou várias vezes que a mulher sentada ali era mesmo Lavínia, e então um sorriso sombrio surgiu em seus lábios.
Ótimo, finalmente tinha conseguido algo para incriminar aquela garota!
Desde a última comemoração, ela guardava ressentimento por ter sido desprezada por Leonardo por causa de Lavínia.
Ao voltar para casa, pensou melhor sobre o assunto.
Uma pessoa inteligente como Leonardo provavelmente já tinha percebido, pelo formato da marca no rosto, que o tapa não tinha sido dado por Lavínia. Afinal, há diferença entre um tapa dado por si mesmo e por outra pessoa, por isso ele protegeu tanto Lavínia.
Mas agora, Ondina tinha provas de que Lavínia estava envolvida com dois ao mesmo tempo. Não acreditava que, diante dessa situação, Leonardo continuaria defendendo aquela garota!

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