“Não, não é. Eu… eu vi claramente, o nome ali é o meu.”
Evaldo falou, com uma expressão atordoada, e beliscou o próprio braço com força.
A dor que sentiu em seu braço o fez inspirar bruscamente, mas a alegria era ainda maior.
“Então não era um sonho! Esta casa é realmente minha, é minha, eu não vou mais precisar me virar nos trinta todo mês para conseguir pagar este aluguel.”
Seus olhos instantaneamente ficaram vermelhos, e ele chorou de alegria, segurando a escritura que Lavínia lhe entregara, feliz como uma criança.
Lavínia foi contagiada por sua alegria e também sorriu.
“Quer ver o seu carro?”
“Quero, claro que quero!” Evaldo, abraçando a escritura, seguiu Lavínia com um sorriso no rosto.
Ao ver a Mercedes novinha em folha estacionada na rua, ele arregalou os olhos, sua boca formando um perfeito “O” de espanto.
“Este… este é o carro que você me deu?”
“Sim. Gostou? Se não gostar, podemos trocar.” Lavínia era bastante generosa com talentos raros como ele.
Desde que ele pudesse fazer o trabalho para ela, o resto não era problema.
“Não precisa, eu… eu adorei.”
Aquela Mercedes era o carro dos sonhos de Evaldo, o veículo que ele mais desejou ter um dia.
Mas a vida acabou por aparar suas arestas, e ele não ousava mais pensar em tais coisas.
Ele pensou que jamais teria aquele carro em toda a sua vida, mas o que ele nunca esperou foi que, um dia, alguém lhe daria aquele carro de presente!

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