“Eu tenho coisas para resolver aqui e não posso sair, e o lugar que você mencionou fica tão longe do centro da cidade, seria muito incômodo ir até lá. Se você tem algo para me pedir, venha até aqui, caso contrário, não venha.” Décio Tavares sabia que Lívia Amorim certamente o faria fazer algo ingrato novamente.
Da última vez, ele foi enganado por Lívia e, por causa disso, não conseguiu encontrar nenhum emprego.
Por isso, desta vez, ele aprendeu a lição e precisava, no mínimo, tirar algum proveito de Lívia, ou então não a ajudaria em mais nada.
Lívia, ao ouvir as palavras de Décio, começou a praguejar mentalmente sem parar.
Ela se lembrava de que, antes, quando o convidava para sair, Décio sempre a bajulava, como se quisesse criar asas para voar até ela.
Mas agora, a atitude dele para com ela era surpreendentemente firme!
Décio esperou e esperou pela resposta de Lívia e não pôde deixar de sentir-se um pouco ansioso.
Ele pensou que talvez Lívia estivesse mudando de ideia e não viria mais procurá-lo.
Embora ele quisesse muito ter Lívia sob seu controle, se ela não caísse nessa, todo o seu esforço não teria sido em vão?
Que tal cooperar com ela primeiro e ir a uma cafeteria no centro da cidade para conversar? E depois encontrar uma maneira de levá-la para um hotel?
Enquanto Décio pensava nisso e estava prestes a concordar com Lívia, a voz dela, cedendo, soou em seus ouvidos.
“Está bem, vou agora mesmo para o Rancho das Palmeiras encontrar você.”
Décio, vitorioso, não cabia em si de contentamento. Os cantos de sua boca não paravam de se curvar para cima, mas ele fingiu uma aparência calma ao responder a Lívia.

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