Lavínia, entediada, cruzou os braços e declarou: “Fale logo o que tem para dizer, se tiver algo para reclamar, que diga de uma vez. Qualquer pergunta cheia de rodeios ou ambígua, eu não vou responder.”
“Tudo bem, já que é assim, vou ser direto.” Roberto fez uma pausa e continuou: “Lembro que, quando você se casou comigo, eu investiguei seu histórico. Os dados mostravam que você vinha do interior, que nem sequer terminou a faculdade e começou a trabalhar cedo. Mas hoje, as pessoas com quem você anda não são do tipo que alguém com esse passado conseguiria conhecer. Por isso, desconfio que, quando se casou comigo, seu histórico e seus dados eram falsos. Na verdade, sua identidade não é tão simples quanto aparenta.”
Lavínia curvou levemente os lábios, um sorriso enigmático passou por seu olhar, e ela retrucou para Roberto:
“E você, o que acha? Quem você pensa que eu sou?”
Roberto era muito inteligente, então, para ela, não era surpresa que ele tivesse percebido isso.
O fato de ele nunca ter perguntado antes, provavelmente se devia ao fato de não se importar.
Agora, de repente, por algum motivo, ele se importava com esse assunto. Realmente, um absurdo.
“Se eu soubesse a resposta, você acha que eu viria perguntar para você?”
“Você quer saber a verdade, mas eu sou obrigada a te contar?” Lavínia soltou uma risada fria. “Isso é uma questão particular minha, não tenho nada a declarar. Além disso, já estamos divorciados, não faz sentido você continuar perguntando. Que diferença isso faz para você?”
Roberto franziu as sobrancelhas e expôs diretamente seu pensamento:
“Só quero saber a verdade, não quero continuar sem entender nada.”
“Ha!” Lavínia não conseguiu evitar uma risada sarcástica.
“Roberto, por favor, entenda, agora somos dois estranhos sem qualquer ligação. Não tenho obrigação nenhuma de responder suas perguntas.”
Roberto manteve as sobrancelhas cerradas. “Você—”



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