Roberto, que permanecia em um canto, observou toda aquela cena atentamente.
Naquele momento, ele já não conseguia descrever o que estava sentindo em seu coração.
De todo modo, a sensação era ruim; ao olhar para o casaco que Noriel colocara sobre os ombros de Lavínia, sentiu um incômodo profundo.
Ao mesmo tempo, surgiu em sua mente um pensamento tênue.
Pela personalidade de Lavínia, ela deveria recusar o casaco de Noriel, não deveria aceitar…
Enquanto pensava nisso, o que viu em seguida o deixou surpreso.
Lavínia, ao invés de recusar o casaco, ajeitou-o melhor em torno do corpo, apertando-o contra si.
“Obrigada, agora estou bem mais aquecida.”
Se fosse outra pessoa oferecendo o casaco, Lavínia certamente teria recusado.
Mas Noriel era um amigo de longa data, com quem ela convivia muito bem.
No coração dela, Noriel ocupava uma posição semelhante à de Betina, por isso não recusara o gesto.
“Que bom. Aqui tem um quarto livre, pode ir ficando lá. Vou à cozinha perguntar se eles têm água com rapadura.”
Ao dizer isso, Noriel se dirigiu à cozinha para procurar água com rapadura para Lavínia.
Ao ver isso, Lavínia rapidamente o chamou.
“Não precisa se incomodar, só de me aquecer um pouco, já vou ficar bem.”
“Corpos femininos são mais delicados, especialmente nesse período, é preciso ter mais cuidado. E buscar uma água com rapadura não custa nada, não há motivo para complicar. Fique confortável aqui e descanse, volto já.”
Depois de falar, Noriel saiu em busca da água com rapadura para Lavínia.
Olhando na direção em que ele saiu, Lavínia balançou a cabeça, levemente.
Tudo bem, já que Noriel queria buscar água com rapadura para ela, que fosse. Ela aproveitaria para descansar um pouco.
Lavínia desviou o olhar da direção por onde Noriel partira, acalmou os pensamentos e subiu as escadas.
Assim que ela saiu, Roberto deixou a sombra e apareceu.


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