“Não, tenho um assunto importante para tratar com você. Gostaria de marcar um encontro para conversarmos, é sobre o hospital...”
Naquele momento, Lavínia ainda precisava resolver questões importantes e já estava sem paciência. Nem sequer escutou direito o que Roberto disse, interrompendo-o de imediato.
“Não tenho tempo! Resolva seus assuntos sozinho, não venha me procurar!”
Assim que terminou de falar, Lavínia desligou o telefone na mesma hora.
Quando Roberto tentou ligar novamente, percebeu que havia sido bloqueado por Lavínia.
Ao escutar a mensagem automática informando que o usuário estava em outra chamada, seu semblante tornou-se sombrio. Seus olhos, tão escuros quanto tinta fresca, refletiam um presságio de tempestade iminente, e sua postura transbordava tensão.
“Lavínia, muito bem, realmente muito bem!”
O tom de voz estava carregado de raiva contida, como se desejasse despedaçá-la com os dentes.
Vítor, ao lado, sentiu um calafrio percorrer a espinha. Ficou tão assustado que começou a tremer, tentando se encolher no canto, na esperança de passar despercebido.
Desde que Sr. Lourenço e Sra. Cruz se divorciaram, fazia muito tempo que Vítor não via Sr. Lourenço tão irritado com Sra. Cruz.
Ainda bem que Sra. Cruz não estava por perto; do contrário, certamente seria atingida pelo frio glacial que emanava do Sr. Lourenço.
Enquanto pensava nisso, Vítor ouviu de repente a voz de Sr. Lourenço, tão ameaçadora quanto um eco vindo do inferno.
“Vítor.”
Vítor não conseguiu controlar o tremor e respondeu, gaguejando de medo:
“Sr. Lourenço, em que posso ajudar?”
Apesar de ser o colaborador mais antigo ao lado do Sr. Lourenço, sempre que este emanava tal intensidade, Vítor sentia-se incapaz de resistir.
Gostaria de fugir dali, afastando-se dessa guerra silenciosa.
Mas, como era o braço direito do Sr. Lourenço, não podia escapar e precisava suportar toda a pressão.
Roberto levantou-se da cadeira, e Vítor instintivamente recuou, engolindo em seco.
“Então, por que não foi preparar o carro ainda?”
Vítor assentiu rapidamente.
“Sim, Sr. Lourenço, irei agora mesmo.”
Roberto observou Vítor se afastar e, sem conseguir evitar, massageou as têmporas.
O motivo de ir atrás de Lavínia não era apenas ela tê-lo bloqueado; não era tão mesquinho assim. Havia algo muito mais importante a tratar com ela... do contrário, não estaria tão aflito...
Pouco depois, Vítor preparou o carro, e Roberto partiu para a empresa de Lavínia.
Enquanto isso,
Joaquim, ao ver que Lavínia tinha desligado o telefone com expressão aborrecida, exibiu um sorriso de satisfação.
“Diga, você pode ou não apresentar o recibo? Se não pode, é melhor pagar logo. Ao meu ver, esse vaso não vale mais do que uns poucos reais. Não tente bancar o importante para não se envergonhar depois.”

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