A pessoa que entrou tinha os cabelos tingidos de um vermelho ousado, mas, combinados com aquele rosto de beleza andrógina quase sobrenatural, ficava surpreendentemente harmonioso. Não causava estranhamento; ao contrário, transmitia uma sensação de liberdade e irreverência.
Não era ele, Fabiano?
Como Fabiano havia voltado?
Lavínia, ao vê-lo, deixou brilhar um lampejo de luz em seus olhos, mas, por causa da presença de Roberto, conteve-se e não chamou Fabiano da maneira habitual.
“Você não estava no exterior gravando um filme? Como voltou?”
“Se eu não tivesse voltado, aposto que você já teria sido completamente humilhada.” Fabiano Cruz foi dizendo enquanto se aproximava. De relance, viu Roberto sentado na cadeira, e imediatamente franziu a testa.
“O que você está fazendo aqui?”
O tom não foi apenas ríspido; estava carregado de forte hostilidade.
Roberto lançou olhares alternados entre Lavínia e Fabiano diversas vezes, seu semblante se tornando ainda mais sombrio.
“Fui eu quem trouxe ela ao hospital.”
“Você? Trouxe ela ao hospital?” Fabiano achou aquilo meio suspeito, aproximando-se do leito de Lavínia e perguntando em voz baixa, para que só os dois pudessem ouvir: “Ele está falando a verdade? Foi mesmo ele que te trouxe ao hospital? Ele seria tão generoso assim?”
Lavínia, com uma leve dor de cabeça, pressionou a testa, sem saber por onde começar a explicar.
“É uma longa história, depois te conto tudo com calma.”
Fabiano não insistiu mais. “Tudo bem.”
Em seguida, Lavínia voltou-se para Roberto, que estava um pouco afastado.
“Sr. Lourenço, agora já tenho alguém para cuidar de mim. Você deveria ir embora, não acha?”
Ela repetiu essa frase três vezes, mas Roberto parecia um surdo, fazendo-a desperdiçar palavras à toa.
Roberto apertou os lábios, olhando para Fabiano, que estava perigosamente próximo de Lavínia. Uma sensação indefinível e incômoda surgiu em seu peito.
Fabiano levantou o queixo, o tom continuava ríspido.
“Você só merece ser tratado assim por mim.”
“Você—” Roberto ainda tentou retrucar, mas Lavínia o interrompeu.
“Já chega, Roberto. Saia daqui agora e não volte para atrapalhar meu repouso!”
Roberto precisou conter a raiva que crescia dentro do peito.
“Lavínia, você pode me expulsar agora, mas saiba que, enquanto não conseguir a informação que quero, não vou desistir.”
Após dizer isso, Roberto saiu do quarto a passos largos.
Ao chegar do lado de fora, aquele rosto que mantinha serenidade dentro do quarto assumiu uma expressão completamente fria, e uma aura glacial parecia envolvê-lo por inteiro.

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