Lavínia inspirou fundo, aproximou-se dos lábios finos de Roberto e começou a lhe fornecer oxigênio de forma lenta e cuidadosa.
Assim ficou por alguns segundos.
De repente.
As pálpebras de Roberto, que permaneciam fechadas até então, tremeram levemente e ele abriu os olhos devagar.
No instante em que seus olhares se encontraram, Lavínia ficou surpresa por um momento, recuou rapidamente da frente de Roberto e falou com serenidade.
“Finalmente você acordou. Não foi em vão todo o esforço que tive para te salvar.”
Roberto relembrou a cena que viu ao despertar, levou a mão até os lábios finos e tocou suavemente aquele ponto, onde ainda parecia sentir o doce aroma que a mulher deixara.
“Você... O que acabou de fazer comigo?”
“Não se engane. Apenas segui o bom princípio de que salvar uma vida vale mais do que construir sete igrejas. Até cachorro de rua eu socorreria, imagine então uma pessoa viva bem na minha frente? Mas, sinceramente, para mim, você não é diferente de um cachorro de rua.” Lavínia respondeu de maneira despreocupada, como se aquilo não tivesse a menor importância para ela.
Nos olhos de Roberto, porém, surgiu um leve traço de irritação. “O que você quis dizer é que, se fosse qualquer outro em apuros, você faria respiração boca a boca do mesmo jeito?”
Lavínia percebeu o aborrecimento de Roberto, mas ela realmente não entendia por que aquele homem estava agindo daquele jeito.
“Salvar alguém é salvar alguém, qual é a diferença?”
Ao ouvir a resposta de Lavínia, Roberto sentiu, sem saber por quê, um incômodo inexplicável crescer em seu peito.
Aquela emoção estranha fez seu semblante escurecer repentinamente.
Não falou mais nada com Lavínia, virou o rosto para o lado e ficou ali, silencioso.
Vendo Roberto daquele jeito, Lavínia revirou os olhos, claramente exasperada.
No intervalo da conversa, de repente, sons de “clic clic” começaram a vir do lado de fora do elevador.
Os olhos de Lavínia brilharam imediatamente. “Finalmente chegou alguém.”
Ao terminar de falar, ela olhou de relance para Roberto, que estava encostado no canto, e um evidente desprezo apareceu em seu olhar.
“Quando sair daqui, volte para sua casa imediatamente e não fique rondando minha empresa.”
Roberto, apoiando-se, levantou-se lentamente do chão e respondeu em tom neutro.
“Certo.”
Nesse momento, com um “chuá” repentino, as portas do elevador foram abertas e uma luz intensa invadiu o local.
Antes que Lavínia pudesse reagir, foi envolvida por um abraço amplo e caloroso.

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