Roberto folheava os documentos distraidamente e perguntou com indiferença: “Quem?”
“Ah, a Sra. Cruz. Não esperava que, depois de se divorciar de você, ela estivesse tão bem. Comprou uma gravata de mais de dez mil reais sem hesitar. Antes, eu ainda me preocupava que ela pudesse passar dificuldades sem você, mas pelo visto, estava enganada.”
Gravata? Para que Lavínia, uma mulher, compraria uma gravata?
Será que comprou para presentear algum homem?
O olhar de Roberto escureceu, e a mão que folheava os documentos parou involuntariamente.
“E depois?”
“Ah...” Lívia suspirou de maneira exagerada. “Eu também gostei daquela gravata e queria comprá-la para te dar, mas a Sra. Cruz fez questão de não me deixar. Aquela loja só permite que clientes VIP tenham prioridade na compra, então precisei mostrar meu cartão VIP para tentar comprar. Mas, quem diria, a Sra. Cruz chamou o dono da loja, que é amigo dela, e ele ficou do lado dela, então ela acabou levando a gravata.”
Após uma breve pausa, Lívia continuou: “Ouvi dizer pela Cláudia que o dono da loja já é bem idoso. Será que a Sra. Cruz, depois do divórcio, ficou abalada e acabou se envolvendo com pessoas erradas? Ela ainda é tão jovem... se continuar assim, pode acabar arruinando a própria vida.”
Ao ouvir isso, Roberto não pôde evitar que a imagem de Lavínia, no bar, encostada no ombro de Leonardo como um casal apaixonado, surgisse em sua mente.
Seu olhar escureceu ainda mais, e a mão que segurava o celular se apertou inconscientemente.
Ele também não sabia de onde vinha aquele incômodo sutil que sentia.
Mas agora Lavínia já estava divorciada dele, e não deveria pensar tanto nisso.
Roberto lentamente soltou os dedos que seguravam o celular com força e, ao falar novamente, sua voz saiu tão calma que não transmitiu qualquer emoção.
“Eu e ela já estamos divorciados. O que ela faz não tem mais relação comigo. Não fale dela na minha frente daqui para frente.”
Lívia se alegrou por dentro, e o sorriso em seu rosto ficou ainda mais evidente.
Tendo alcançado seu objetivo, ela soube parar e não disse mais nada.
“Então, continue trabalhando. Estou voltando para casa agora, não precisa se preocupar comigo.”
“Leonardo sempre foi tão bom para mim, claro que eu tinha que demonstrar meu carinho.” Lavínia, ao perceber que Leonardo apenas segurava a gravata sem intenção de usá-la, perguntou: “Leonardo, você não vai experimentar? E se não servir?”
“Não precisa, eu confio no gosto da minha querida Lavínia.” Leonardo acariciou novamente a caixa, então levantou a cabeça e sorriu cheio de alegria: “No dia em que tivermos a festa de comemoração da empresa, deixo você mesma colocar em mim.”
“Então era esse o seu plano!” Lavínia bateu de leve no peito. “Sem problemas, nesse dia vou fazer o nó de gravata mais bonito para você.”
Leonardo colocou a gravata de lado e pegou uma chave que estava sobre a mesa.
“Sua empresa fica um pouco longe de casa e é cansativo ir e voltar todo dia. Vou te dar o apartamento no Bosque dos Ipês, prédio oito. Assim você pode descansar lá depois do trabalho, e nos fins de semana tira um tempo para vir jantar com os pais.”
O prédio oito era considerado o melhor entre as casas; Leonardo simplesmente entregou a ela. Família sempre era o melhor apoio.
“Então vou aceitar, obrigada, Leonardo.”
Leonardo sorriu com carinho: “Somos uma família, não precisa agradecer.”

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