Antes que o gerente pudesse terminar a frase, foi imediatamente interrompido por um olhar de Lavínia.
“Vá buscar o que pedi, sem mais delongas.”
Ao perceber a verdadeira identidade de Lavínia, o olhar do gerente, que antes era apenas atencioso, tornou-se instantaneamente repleto de respeito.
Primeiro, fez uma reverência de noventa graus diante de Lavínia, para então dizer, com todo respeito: “Sim, Sra. Cruz, irei buscar imediatamente.”
“Certo.” Lavínia respondeu com indiferença, demonstrando elegância e nobreza em cada gesto.
O gerente saiu rapidamente para buscar as duas garrafas de vinho tinto raro.
Estefânia, observando a pressa do gerente ao se afastar, deixou transparecer uma expressão de desconfiança em seu olhar.
“Por que sinto que o gerente, de repente, passou a tratar Lavínia com tanta bajulação? Sobre o que eles estavam conversando? Você ouviu alguma coisa?”
Marcos soltou um resmungo de desdém pelo nariz.
“Você ainda não percebeu? Lavínia passou sessenta e seis mil no cartão de crédito e, por isso, o gerente começou a tratá-la como uma grande cliente. E pensar que é gerente de um hotel renomado, mas tem uma visão tão limitada. Basta sessenta e seis mil para fazê-lo agir assim, que sujeito interesseiro.”
Estefânia concordou com um aceno de cabeça. “Exatamente! Esse gerente não tem discernimento algum, nem sequer sabe quem realmente deveria ser o foco do serviço dele.”
“Deixa pra lá, vamos esperar aqui e ver que vinho tão precioso Lavínia pediu para o gerente trazer. Duvido que haja algo neste hotel mais caro que um Louis XIII!” Marcos esperava ver Lavínia passar vergonha, convencido de que ela apenas queria impressionar.
“Isso mesmo, se ela não conseguir, vou rir muito dela.”
Eles falaram em tom alto, propositalmente para que Lavínia ouvisse.
Achavam que Lavínia ficaria constrangida ou envergonhada.
No entanto, Lavínia permaneceu sentada com serenidade, tomando pequenos goles de água, demonstrando total indiferença à provocação deles.
A questão que surgia era: como Lavínia, conhecida por sua falta de recursos, teria acesso a vinhos tão exclusivos?
Estefânia imediatamente se aproximou e, em tom de dúvida, questionou:
“Esse vinho não é falso, não? Em toda cidade A, só gente muito rica ou influente consegue se envolver nesse ramo. Como você conseguiu algo tão raro?”
Lavínia curvou levemente os lábios em um sorriso irônico.
“O fato de você não conseguir não significa que os outros também não consigam. E, afinal, são apenas duas garrafas de vinho, isso já te deixou tão abalada? Só posso concluir que sua visão é muito limitada.”
“Você—” Estefânia mordeu os lábios, sem saber o que responder de imediato. De relance, olhou para o gerente e voltou a questionar:
“Gerente, fale a verdade, esse vinho é mesmo autêntico? Se você ousar vender falsificações aqui e ajudar alguém a nos enganar, vou denunciá-lo!”

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