Lancelot saiu do escritório da Dra. Flinn. Peter estava sentado em uma das cadeiras da sala de recepção, esperando seu chefe sair da sala da Dra. Flinn.
De repente, Lancelot pigarreou e endireitou a postura, Peter tirou os olhos rapidamente do Macbook que estava em seu colo e olhou para o corpo alto de seu chefe. Lancelot enfiou as mãos no bolso de sua calça e se encostou na parede.
"Eu tô esquecendo de alguma coisa?", Lancelot perguntou, observando as rugas serem formadas na testa de Peter.
Peter suspirou fundo, guardou seus Macbook silenciosamente e se levantou.
"Nada sério. O rei Alfa acabou de solicitar sua presença no campo de golfe".
Lancelot debochou, revirou os olhos e se endireitou.
"Ele sabe bem que eu odeio golfe", ele afirmou. Lancelot nunca se importou com jogos. O golfe era simplesmente uma daquelas coisas que sua aristocracia exigia que ele aprendesse. E foi muito fácil, considerando os oito mil metros de terra que servia como campo de golfe do Dankworth.
"Eu também, senhor. Porém, são as ordens do rei..."
"E deve ser obedecido. É ousadia demais da parte dele interromper minha agenda dessa forma", Lancelot respondeu, se aproximando de Peter, que estava tentando segurar firme a alça da bolsa de ombro que estava muito pesada.
Ele sempre se perguntava por que Lancelot gostava de andar por aí com um monte de coisas que nunca usava.
"Talvez eu devesse ir ver ele", disse Lancelot. Ele fez uma pausa rápida e virou as costas para Peter, pegando o jovem desprevenido.
A sobrancelha esquerda de Lancelot ergueu-se em dúvida.
"Tá tudo bem?"
Não. Nada bem.
Mas Peter não falou nada. Apenas deu um sorriso para Lancelot antes de firmar a compostura.
"Eu vou pra casa antes de ir para o campo de golfe...", ele fez uma pausa, pareceu pensativo e balançou a cabeça levemente. Ele não iria se preparar para jogar golfe. Dessa forma, ele poderia se desculpar e ir embora no segundo em que seu pai o deixasse desconfortável.
Ele deu de ombros e olhou para Peter.
"Pensando bem, vamos direto para o campo de golfe".
Peter acenou com a cabeça afirmativamente e conduziu Lancelot até a Mercedes preta que estava estacionada em frente ao consutório, só para ele.
A viagem para voltar à propriedade Dankworth pareceu demorar mais do que o normal. Lancelot presumiu que fosse devido ao horário. Era aquela hora do dia em que a escola fechava e os pais iam buscar seus filhos, corriam para deixá-los em casa ou corriam para voltar ao trabalho.
Isso fez Lancelot lembrar de algumas coisas. Quando ele era criança, e chegava á escola no carro de seu pai ele percebia os olhares de todos os alunos da escola pousar sobre ele e seus irmãos. Os meninos Dankworth eram o desejo de todas as garotas, já os garotos sentiam inveja deles.
Até mesmo agora que eles haviam se tornado homens, isso não havia mudado muito com nenhum deles.
Os portões de metal que protegiam a entrada da maior propriedade de toda a cidade de Londres, Dankworth Estate, se abriram para que o carro entrasse.
"Tem certeza de que não quer trocar de roupa, senhor?", Peter perguntou, olhando para Lancelot, que continuava olhando para fora da janela distraidamente.
"Vamos para o campo de golfe primeiro, Peter", Lancelot respondeu, sem olhar para ele.
Ao se aproximarem do campo de golfe, Lancelot ficou surpreso e irritado ao ver uns sete carros estacionados no estacionamento. Ele pensou que seria mais um jogo entre pai e filho.
De repente, ele ficou muito feliz por ter decidido não se preparar. Agora, havia uma desculpa para ir embora. Pelo que viu, Lancelot teve a sensação de que sairia daquele lugar mais rápido do que esperava.
Peter deixou a bolsa pesada no carro dessa vez, enquanto seguia Lancelot até o campo. Ele sabia que Lancelot não iria precisar dela: considerando o quão bom seu chefe era em tudo (menos nos assuntos relacionados ao coração), quer ele quisesse ou não. Ainda assim, ele sabia que ser o assistente de Lancelot lhe daria a oportunidade de assistir ao doce jogo de golfe.
Quando chegaram ao campo de partida, Lancelot respirou fundo para acalmar todo o seu aborrecimento. Ele estava prestes a entrar em multidão cheia de homens — embora fossem apenas cinco — estava parecendo que o mundo havia acabado de cair sobre seus ombros: apesar do fato de que realmente tinha.
"Lancelot, querido!" Bailey, seu tio, gritou. Lancelot mostrou um sorriso forçado enquanto caminhava em direção ao homem mais velho.
Bailey estava usando um short preto e uma camisa rosa de manga curta. Ele estava com um chapéu na cabeça cobrindo a testa para que o sol não o queimasse muito.
Ao ouvir seu nome, todos olharam para ele. Todos, exceto James, que estava se preparando para dar um arremesso. Lancelot notou seu passo, seu taco e sua postura.
Por reflexo, ele debochou.
"Eu não acho que você deveria fazer isso, irmão. Sua postura não está correta", Lancelot disse, ficando entre seu pai e seu irmão depois de dar ao resto dos homens um breve aceno de cabeça. Ele sorriu levemente apenas para Lee. Albert respondeu seu breve aceno com um olhar frio, antes de focar sua atenção em James.
"Eu sei disso", James gritou, sem se virar para ele.
"Acho que você deveria endireitar mais o seu taco, e sua postura", ele falou novamente. Cruzando os braços sobre o peito.
James cerrou os dentes antes de se virar para o irmão mais velho.
"E quem aparece em um campo de golfe de calça social? Hein? Irmão?", James perguntou. O tom de voz que escapou de sua boca fez parecer que ele tinha se arrependido ou odiado de ter falado daquela forma.
Edward debochou e olhou diretamente para Lancelot.
"Obvio que era você, Lance", o despeito em sua voz não passou despercebido.
"Eu pensei que isso deveria ser um assunto de família", Lancelot falou, concentrando seu olhar em seu pai, que fez de tudo para garantir que seus olhos não encontrassem os de Lancelot.
"Nós somos os homens da família, então chamei todos aqui", Edward falou, ainda sem arriscar dar um olhar para Lancelot.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Príncipe, Meu Alfa
Esse não está concluído, tem mais atualização?...