Capítulo 355 – Mia bella
Giuseppe
Eu não sou o tipo de homem que se apaixona, tenho meus momentos com as mulheres, claro que os tenho, sou italiano, e honro nossa cultura de “galanteador”. Mas paixão? Nunca.
Enzo sempre me provocou por isso, até houve uma vez, há muitos anos atrás que eu tentei, mas na época descobri que não era. Não tinha aquela confusão de sentidos, coração batendo forte, mão suando e uma raiva crescente só de imaginar outra pessoa com ela.
Só que isso mudou, e foi no instante que meus olhos viram descendo daquele avião um anjo. Cabelos longos, que se diziam castanhos mas quando o sol batia, refletia igual ouro. Olhos suaves de um azul tão claro, os traços delicados como ela. Vivian é tão pequenina, mas tem um corpo escultural, ela é bella.
Eu não escondi, e nem mesmo lutei pelo que senti naquele momento. Mas ela tinha uma história, um presente que ela estava lutando para que se tornasse passado. E quando ela me contou, meu desejo foi voltar para a América e fazer logo do “hoje”, um “ontem”.
Ela me pediu paciência, e eu a entreguei o pouco que tinha. E esses últimos dias com Vivian, têm sido perfeitos. Nós conversamos, rimos, e por incrível que pareça até brigamos. Ela disse que sabia atirar mas não era boa de mira, então eu a ensinei.
E foi isso que me confortou até um certo ponto, quando fiquei sabendo do ataque no hospital. Ao menos mia bella agora sabe se defender.
— Peppe, você tem certeza disso? — Lena me perguntou.
— Sim, consigo descer até lá. Mas não serve como fuga para elas. — respondi.
— Então vamos fazer isso.
— Lena, o Don vai me matar, e o Sterling também.
— Eu me responsabilizo, confio na capacidade das minhas irmãs, mas é arriscado demais elas ficarem tanto tempo assim presas lá.
— Não entendi ainda porque você não quis contar sua ideia a eles? Alex teria te ouvido.
— Mas o Enzo não! — ela me respondeu irritada.
— Olha, ainda dá tempo de eu ir até eles, falar o seu plano e algum dos outros caras me acompanhar. — argumentei com ela, pois eu conheço bem mio amico e Don, Enzo Mancini. E quando descobrir que Elena me mandou descer até o sexto andar pelas janelas, sono un soldato morto.
— Giuseppe, se eles pararem para fazer algo desse tipo eles perdem o foco da missão num geral. Isso aqui é um trabalho em equipe, os meninos se preocupam em desbloquear a rede e achar a bomba, e nós com a segurança das meninas. Capito? — Essa donna sabia jogar, era boa em persuadir por isso dobrava o Don com facilidade.
— Capito. Mas se o Don for me matar, preciso que me ajude com pelo menos cinco minutos de vantagem para fugir. — Eu disse sério, e as outras meninas riram.
— Acha mesmo que o senhor Mancini te faria mal? — Iris me perguntou.
— Achar, ragazza? Ne sono sicuro.
— Não seja dramático, Peppe. — Lena me disse. — Eu vou te dizer do que eu tenho certeza, de que pior vai ser, se você não fizer o que estou pedindo.
— Santo Dio… — eu disse em derrota.
— Vamos ser práticos, e sinceros. Você aceitou fazer isso porque também é do seu interesse. — Elena colocou a mão na cintura antes de concluir. — Ou vai me dizer que não está doido para ver uma certa babá? — me perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
— Babá? — Jane perguntou confusa.
— Você não sabia? — Iris perguntou a ela.
— Não.
— Nossa delicada Vivi, está namorando o Peppe. Asher me contou. — Iris respondeu a ela.
— E Matteo não me disse nada? — Todas as meninas se viraram para ela de uma vez, que imediatamente colocou a mão na boca como se tivesse falado demais. Os caras contam tudo uns aos outros, mas parece que elas não.
— Matteo? — Foi a vez de Sara. — Como assim meninas, achei que não tínhamos segredos? — concluiu irritada.
— Só para deixar registrado, John está no grupo há poucos dias e já sabe sobre o namoro escondido de cada um. — Amira disse a elas.
— Isso é sacanagem, somos amigas! — Jane rebateu indignada.
— Por mais interessante que seja toda essa troca de vocês, temos que fazer isso logo antes do Don voltar. — chamei a atenção de todas.
— Peppe está certo, meninas, vamos até o sétimo andar, ajudá-lo a descer pela janela.
Seguimos pelas escadas, assim como no quinto o sétimo tinha as portas abertas o que nos dava acesso ao andar. Hugo acredita que o sistema deve ser dividido em paridade, o que faz sentido já que temos o quinto e o sétimo abertos e o sexto onde elas estão fechados.
Não tenho medo de altura, mas evitei olhar para baixo, isso tiraria meu foco. Primeira janela fechada, continue até a próxima, para minha sorte estava aberta. Assim que minhas mãos se apoiaram nela, senti o cano de uma arma na minha testa. A cortina cobria meu rosto, e não conseguia ver a pessoa.
Até que ouvi uma voz dizendo meu nome.
— Peppe?! — Sorri, Alessa me reconheceu. Ela puxou a cortina e me ajudou.
— Como sabia que era ele? — Aline perguntou confusa, enquanto eu entrava no quarto já o varrendo com os olhos em busca de Vivian.
— A tatuagem na mão direita. — Ela respondeu a amiga, e depois se jogou em meus braços.
— Como está, bambina Alessa?
— Bem, Peppe, mas não temos tempo. — Me disse com certa urgência. — Ouvimos tiros, algumas meninas já estavam lá fora, e Vivi saiu para ir atrás delas.
Não esperei mais nada, corri para fora, assim que passei pela porta eu a vi. A arma mirando no cretino que estava de costas para nós. Com a postura ereta, e mãos firmes mia ragazza atirou.
— Muito bem, mia bella. — eu disse enquanto caminhava até ela, só que Vivi não se virou para mim, permaneceu imóvel. Quando parei atrás dela, coloquei uma mão em sua cintura e outra em seu ombro antes de sussurrar em seu ouvido.
— Eu disse que você conseguia. — dei um beijo em seu ouvido antes de concluir. — Mi bella. — Ela se virou para mim.
— Peppe… — disse meu nome como uma oração.
Coloquei minha mão em seu rosto, e não resisti, levei meus lábios até os dela em uma carícia.
— Sim, mia bella.
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Meninas, desculpe pelo atraso, mas tarde tem mais.
Obrigado por estarem aqui.

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