O aroma intenso do hormônio masculino misturou-se ao cheiro de desinfetante hospitalar, aproximando-se com força.
Kellen não conseguiu se soltar.
Délio baixou o olhar, que caiu distraidamente sobre o colo dela; aquelas curvas delicadas o fizeram engolir em seco, sentindo a boca seca.
“Realmente não entendeu ou está fingindo?”
Kellen virou o rosto, evitando a respiração quente do homem.
“Pergunta sem sentido.”
Délio franziu a testa e, com expressão fria, segurou o queixo dela, forçando-a a encará-lo.
“Senhora Guerra, neste momento estou muito descontente.”
Kellen permaneceu impassível.
Antes, quando Délio demonstrava qualquer emoção, ela fazia de tudo para agradá-lo, preocupando-se profundamente com o que ele sentia.
Agora, não tinha mais disposição para isso; quem quisesse agradar, que agradasse, ela não o faria.
“Quando sair do elevador, vire à esquerda e vá até a ala de internação procurar Noemia. Quando vê-la, ficará feliz.”
Ao ouvir isso, Délio franziu ainda mais o cenho.
“Entre nós dois, faz sentido mencionar outra pessoa?”
Kellen sorriu com sarcasmo. “Noemia não é qualquer uma, ela é a sua paixão de juventude, Délio, a mulher de quem você sempre gostou profundamente.”
Os olhos escurecidos de Délio se estreitaram. Sem dizer uma palavra, ele a puxou para seus braços.
“Está com ciúmes?”
“Não.”
“Se não está com ciúmes, por que fala desse jeito estranho?”
Délio encostou a testa na de Kellen, o olhar sombrio, engolindo em seco como se quisesse beijá-la.
Kellen se esquivou. “Só estou dizendo a verdade.”
Assim que terminou de falar, ouviu-se um “ding”; o elevador chegou ao térreo.
Kellen, preocupada com a própria imagem e sem querer chamar a atenção dos outros, empurrou Délio com força e saiu apressada do elevador, indo direto para a porta do hospital.
Mal deu alguns passos, ouviu a voz de Délio atrás de si: “Tem um supermercado dentro do hospital, não precisa sair para comprar pirulito.”
Kellen não esperava que Délio a seguisse, o que a deixou ainda mais irritada.
“Quero sair para comprar.”
“Não há nenhuma loja de conveniência num raio de dois quilômetros do hospital.” Délio falou a verdade.
Kellen não acreditou, continuou andando sem olhar para trás.
Vendo a teimosia dela, Délio cerrou os dentes, murmurando: “Que cabeça dura.”
Kellen saiu pelos portões do hospital, olhou para os dois lados e acabou virando à direita.
Andou pela calçada em ritmo moderado, os olhos procurando uma loja de conveniência a cada esquina.
De repente, uma menina que vendia flores apareceu à frente dos dois, olhando para Délio com olhos grandes e brilhantes.
“Senhor, compre flores para a sua namorada.”
Kellen ficou sem palavras.
No cesto, algumas rosas frescas chamavam a atenção. Délio desviou o olhar discretamente.
Quando estava prestes a falar, Kellen se adiantou.
“Estava mesmo pensando em comprar flores para colocar no quarto da Vitória.”
Ela escolheu alguns ramos de jasmim, segurou-os e cheirou as flores.
“Que perfume agradável, Vitória vai gostar com certeza.”
“Senhora, não gosta de rosas?” perguntou a menina.
Kellen sorriu levemente e acariciou a cabeça da pequena vendedora com delicadeza.
“Gosto sim, mas hoje não preciso de rosas.”
Délio interveio. “Se gosta, pode comprar.”
Ele pegou todas as rosas do cesto, pagou por elas junto com o jasmim e, em seguida, ofereceu as rosas a Kellen.
Kellen recusou com firmeza.
“As rosas que você comprou pode dar para Noemia, eu não preciso.”

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