Kellen foi beijada até quase ficar sem fôlego, mas Délio ainda assim não a deixou ir.
Assim como a tempestade lá fora, ele a beijou com intensidade e urgência, esquecendo-se do mundo ao redor, tomado por um desejo incontrolável de possuí-la.
A diferença física entre eles era evidente; Kellen não conseguiu resistir e foi forçada a inclinar a cabeça para receber o beijo avassalador de Délio.
Ela sentiu seu corpo gradualmente perder as forças, incapaz de se sustentar, apoiando-se com dificuldade à porta para continuar de pé.
De repente, mãos quentes envolveram sua cintura, levantando-a e colocando-a em um banquinho alto ao lado.
Com os pés fora do chão, Kellen viu o corpo imponente de Délio bloquear seu caminho, enquanto ele se inclinava para continuar o abraço e o beijo, sem sinal de que pretendia parar.
“Mm…”
Kellen, já sem ar, começou a sentir tontura, como se fosse desmaiar a qualquer momento.
Ela gemeu de desconforto, pressionando com força o peito de Délio, e com grande esforço murmurou três palavras: “Me solte…”
Ao ouvir o soluço sentido da mulher, as lágrimas de Kellen deslizaram por seu rosto e repousaram em seus lábios, o gosto amargo apertou o coração de Délio, e ele imediatamente afastou seus lábios dos dela.
“Respira.”
Kellen respirou com dificuldade, tossiu algumas vezes, os olhos marejados, quase sem forças para se manter sentada.
O semblante de sofrimento e mágoa dela afetou Délio profundamente.
Ele realmente não tinha intenção de machucar Kellen, só queria beijá-la, nada mais.
“Ainda está chateada pelo que aconteceu hoje à tarde?”
Kellen o ignorou, parecendo tão frágil e vulnerável que despertava compaixão.
Délio tentou de tudo para consolá-la, dizendo palavras gentis e enxugando suas lágrimas.
“A culpa foi minha, não deveria ter deixado você voltar pra casa de aplicativo, nem ter perdido a calma por causa de um anel.”
Ele abraçou Kellen e prometeu sinceramente: “Não vamos mais brigar, nem perder a cabeça.”
Kellen, porém, não estava abalada por causa do anel, mas sim por estar à beira da loucura devido ao comportamento instável de Délio.
Ele agia sempre por impulso, sem considerar os sentimentos dela.
Cada vez que ela cedia, ele apenas a pressionava ainda mais.
“Depois de xingar, está se sentindo melhor? Se não for suficiente, pode repetir.”
O coração de Kellen se acalmou, não gritava mais, parecia outra pessoa.
“O que quer que diga, eu não vou…”
Délio a interrompeu: “Não vai me perdoar, não é?”
Kellen ficou em silêncio, o que equivalia a admitir o que ele sugeriu.
O olhar de Délio tornou-se sombrio; ele finalmente percebeu que enfrentava um problema sério no casamento e, se não encontrasse uma solução, não teria futuro com Kellen.
Embora ela estivesse ali diante dele, sentiu que Kellen estava muito distante.
“Então me diga, o que preciso fazer para consertar, para que você se sinta melhor e não me odeie tanto?”
“Não quero que você conserte nada, só quero que colabore.”
Kellen respirou fundo e, pela primeira vez, sondou sobre o divórcio com Délio: “E se eu disser que quero me divorciar…”

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