Hyndara caminhava enquanto perguntava: “De quem é essa criança? Estão fazendo tanto mistério, pare de enrolar e me conte logo.”
“Chegamos, chegamos, é este quarto.” Loreta levou Hyndara até a porta do quarto do hospital, não bateu e entrou diretamente.
Vitória acabara de adormecer.
Pacientes com leucemia costumam sentir muito sono.
Telma e Brenda levantaram-se ao mesmo tempo, os olhares tomados de desconfiança.
“Por favor, procuram por quem?”
O olhar de Loreta era altivo, com os braços cruzados, ordenando: “Vocês duas saiam primeiro, a Sra. Guerra veio ver a criança.”
“Sra. Guerra?”
Percebendo que Telma e Brenda não entenderam, Loreta revirou os olhos com desprezo e revelou a identidade detalhada de Hyndara.
Ao saberem que aquela senhora era a mãe de Délio, Telma e Brenda trocaram olhares e, sem ousar dizer mais nada, saíram do quarto em silêncio.
Contudo, elas não se afastaram, permanecendo ao lado da porta do quarto, observando discretamente o interior através do vidro da porta.
“Vitória é filha de parentes da família Guerra, é natural que a Sra. Guerra venha visitá-la.”
“Sempre sinto que há algo estranho.”
“Vamos ficar aqui de vigia, se acontecer algo, entramos imediatamente.”
“Certo.”
Dentro do quarto.
Vitória dormia tranquila e sonhava novamente que seus pais a levavam para brincar no parque, completamente alheia ao fato de que duas mulheres estavam ao lado de sua cama, olhando para ela de cima.
Loreta começou a falar lentamente: “Você reconhece essa garotinha?”
Ao ver Vitória pela primeira vez, Hyndara ficou chocada, paralisada por um instante de confusão mental.
A menina se parecia muito com Ivana quando era pequena.
Tinha cílios longos, rosto arredondado, boca pequena e cabelos com uma leve ondulação na testa, tão fofa e bonita quanto uma boneca.
“Essa... essa criança é filha de quem?”
“Sr. Queiroz disse que ela é filha de parentes da família Guerra, por isso trouxe você para reconhecê-la.”
“De qual família Guerra?”
“Claro que é da sua família por casamento, de qual mais poderia ser?”
“Obviamente algum amante dela, algum rapaz que ela mantém fora de casa.”
Loreta fez uma pausa e continuou, agora com tom reflexivo.
“Pense bem, se o pai da criança fosse o Délio, por que Kellen não traria a menina para a família Guerra, mas preferiria mantê-la escondida? Agora que a criança está doente, ela nem ousou contar para vocês.”
“...” Hyndara franziu as sobrancelhas em silêncio, sentindo um aperto no peito, até a respiração ficou difícil.
Não era que Hyndara não acreditasse em Loreta, mas aquela menina à sua frente se parecia demais com Ivana Guerra, e, olhando com atenção, também lembrava Délio em alguns traços.
Dizer que a criança era da família Guerra era algo plausível.
Por isso, Hyndara não conseguia imaginar que se tratava de uma filha ilegítima de Kellen.
……
Kellen saiu da sala de reuniões com o coração pesado.
Após discussões entre Sr. Queiroz e especialistas médicos, decidiram primeiramente tentar a quimioterapia com Vitória; se não houvesse resultado, seria necessário o transplante de medula óssea.
Pensar que uma criança tão pequena teria que enfrentar tanto sofrimento, passar longos períodos acamada, sem poder brincar livremente como as outras crianças, deixava Kellen profundamente angustiada. Ela caminhava com passos pesados de volta ao último andar do pronto-socorro.
Ao sair do elevador, Kellen avistou de longe a funcionária parada diante da porta do quarto e, intrigada, apressou o passo até lá.

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