Kellen saiu da sala de descanso e viu Vitória sentada na cama do hospital, olhando para ela com o rosto cheio de preocupação.
“Mãe, aquele senhor chato te incomodou?”
Kellen se aproximou, conteve suas emoções e sorriu com gentileza. “Não.”
Questões entre adultos não precisavam ser compartilhadas com crianças.
Vitória se jogou nos braços de Kellen e disse com voz infantil: “Vamos chamar a polícia, assim o senhor policial pode prender o homem mau. Eu não quero ver ele.”
Kellen permaneceu em silêncio.
Cerca de dez minutos depois, o médico entrou para a visita. A sala ficou cheia de gente, entre eles médicos, enfermeiros e até o diretor do hospital.
Exceto por Vitória, todos sabiam que ela tinha leucemia. Durante a conversa, todos demonstraram muita compaixão e carinho pela menina.
Tão jovem e com uma doença tão grave, realmente era uma infelicidade.
“Essa doença é muito complexa. Vamos estudar um pouco mais antes de definir o tratamento.”
Kellen agradeceu: “Agradeço o empenho de todos os médicos.”
“Não há de quê.”
Após a visita, os médicos começaram a sair em sequência.
Nesse momento, Délio saiu da sala de descanso.
Vestido com um terno preto, cada gesto dele revelava elegância, irradiando uma presença forte e inegável.
Sua altura impunha uma sensação de peso e autoridade.
“Sr. Queiroz, por favor, aguarde.”
Sr. Queiroz, que já estava saindo do quarto, parou ao ouvir o chamado e olhou para trás, surpreso.
“Sr. Guerra?”
Ele imediatamente retornou ao quarto.
“Por um instante, pensei que tivesse me enganado. Sr. Guerra, o que faz aqui?”
Pelo que sabia, Délio tinha passado os últimos dias no prédio de internação acompanhando a Sra. Alcantara.
Délio não respondeu imediatamente; primeiro, apresentou Kellen. “Esta é minha esposa.”
Quando todos se retiraram, Délio ainda segurava a mão de Kellen, com os dedos entrelaçados.
“Senhor chato, solte a mão da minha mãe.”
Délio franziu a testa e olhou para trás, encontrando o olhar bravo, mas infantil, de Vitória.
Aquela expressão era a cópia exata do que sua irmã Ivana fazia quando era pequena, tão fofa que era impossível repreendê-la.
“Pequena, não fale assim. Minha esposa não é sua mãe. Você deve chamá-la de senhora.”
Vitória ignorou. “Não vou chamar de senhora, quero chamar de mãe.”
“Kellen não é sua mãe.” Délio corrigiu com seriedade. “Você não é filha de nós dois.”
Vitória, magoada, ficou com os olhos vermelhos, parecendo um coelhinho indefeso.
Irritada, estufou as bochechas, ficou de pé com as mãos na cintura e olhou para eles com os olhos bem abertos.
“Ela é minha mãe, sim.”
Délio sentiu dor de cabeça e franziu ainda mais a testa.

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