Givaldo desligou o telefone satisfeito. Enquanto não envolvesse a família Guerra, pouco lhe importava o que a família Alcantara fizesse; ele preferia fechar os olhos e não se meter.
……
A cirurgia durou a noite inteira e só terminou ao amanhecer.
A porta do centro cirúrgico se abriu lentamente, e o médico responsável saiu, exausto.
Os pais de Noemia se aproximaram imediatamente, com o rosto cheio de preocupação e o coração inquieto.
Délio os seguiu de perto, igualmente ansioso pelo estado de Noemia.
“Doutor, como está minha filha agora?”
O médico ajustou os óculos sobre o nariz, suspirou profundamente, aliviado, e respondeu: “A cirurgia foi um sucesso.”
“E a perna da minha filha…?” Loreta perguntou com a voz trêmula.
“A Sra. Alcantara demonstrou uma forte vontade de viver. A perna direita dela foi salva. Sr. Alcantara, Sra. Alcantara, Sr. Guerra, o hospital fez todo o possível.”
Loreta chorou de alegria, agradecendo a Deus por, ao menos, uma das pernas ter sido preservada.
Sérgio agradeceu ao médico com imensa gratidão. “Muito obrigado, o senhor se esforçou muito.”
“Não há de quê.”
Logo depois, uma enfermeira conduziu Noemia de volta ao quarto, empurrando a maca.
Sérgio e Loreta permaneceram ao lado da cama, segurando firmemente as mãos da filha, esperando pacientemente que ela acordasse.
O quarto estava silencioso.
Délio sentou-se no sofá em frente à cama, de olhos fechados, tentando descansar um pouco. Ele não dormira nada durante a noite; seus olhos ardiam e a cabeça latejava.
Ninguém sabia quanto tempo se passou até que Noemia finalmente acordou.
Ela abriu os olhos com dificuldade, sentindo o forte cheiro de desinfetante no ar, e fixou o olhar no teto branco.
Mais uma vez, estava no hospital.
Ela odiava aquele lugar. Nos sonhos, sempre tentava fugir desesperadamente, mas nunca conseguia. Olhava para baixo e não via as próprias pernas, o que a assustava ao ponto de acordar sobressaltada.
Noemia respirava ofegante, suando frio na testa.
Sabia que não adiantava adiar o inevitável; quanto mais demorasse, pior seria.
“Enquanto houver vida, há esperança. Todos fizeram o possível.”
Ele falou em tom suave, cheio de compaixão, inclinando-se para segurar a mão de Noemia e encorajá-la. Após um momento, suportando uma dor profunda, revelou o resultado.
A palavra “amputação” caiu sobre Noemia como um raio. Ela não conseguiu aceitar; tremia, gelada, sem conseguir falar, com vontade de bater a cabeça e acabar com tudo.
Preferia morrer a viver como uma pessoa com deficiência.
Não desejava nem um dia de uma vida sem dignidade ou respeito próprio.
“Noemia, se há alguém a quem culpar, culpe a mamãe. Fui eu quem assinou o termo de consentimento para a cirurgia.”
Noemia gritou “ah”, cuspiu sangue e empalideceu, desmaiando em seguida.
O médico entrou no quarto, examinou Noemia e tranquilizou a família Alcantara: “Não é nada grave. A Sra. Alcantara desmaiou por causa do choque, mas logo irá acordar.”
Sérgio olhou para a filha, tão frágil no leito, e sentiu o coração se despedaçar. Suas mãos, caídas ao lado do corpo, cerraram-se com força.
“Délio, venha comigo um momento. Preciso conversar com você.”

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