Filipa soltou-se da mão dele, um sorriso de escárnio surgindo em seus lábios.
— O Diretor Gama acha isso divertido?
— Estou falando sério.
A voz dele era grave, o tom estranhamente suave.
— No passado eu errei, te machuquei profundamente. Vou passar a vida inteira compensando esses erros.
— Não é necessário.
Ela recusou sem hesitar.
— Guarde essa compensação do Diretor Gama para a Mafalda, eu não preciso dela.
— Se é por causa da Mafalda, eu te garanto, de agora em diante ela nunca mais aparecerá no nosso mundo.
Olhando para a seriedade nos olhos dele, Filipa achou a situação ridícula.
Até agora, ele ainda achava que ela estava fazendo birra, que estava com ciúmes da Mafalda.
Ela o encarou diretamente e disse, pausadamente:
— Augusto, quantas vezes vou ter que repetir para você entender? O problema entre nós nunca foi apenas a Mafalda.
Ela respirou fundo, a voz sem qualquer oscilação, mas carregada de uma decisão inabalável.
— É que eu não te amo mais, e não aceito recomeçar com você!
Antigamente, ela o confundira com a pessoa de suas memórias e mergulhara de cabeça naquele casamento absurdo.
Quatro anos de frieza e mágoas já haviam consumido todo aquele sentimento.
No momento em que descobriu a verdade, ela se libertou completamente.
— Augusto, se você ainda preza o mínimo do que tivemos, divorcie-se, me deixe ir. Não me faça te odiar.
A voz dela era leve, mas cada palavra cortava como uma faca.
Ferindo o peito de Augusto.
Ele fixou o olhar nos olhos dela, tentando encontrar qualquer traço de mentira.
A garota que antes só tinha olhos para ele, como poderia deixar de amar tão de repente?
Mas o que ele via era apenas lucidez e determinação.
Irritado, ele tirou um cigarro do maço, acendendo-o com os dedos levemente trêmulos.
Do lado de fora da Mansão Antiga Gama.
As luzes dos caminhões de bombeiros e das ambulâncias se misturavam piscando.
A velha senhora já havia sido resgatada com segurança, e uma enfermeira media sua pressão.
Filipa correu até ela, a voz ainda carregada de susto.
— Vovó, a senhora está bem?
A idosa deu tapinhas leves na mão dela, a voz um pouco rouca.
— Não foi nada, só engoli um pouco de fumaça, a garganta está incomodando. A culpa é da Dona Laura que faz tempestade em copo d'água, incomodando vocês por tão pouco.
Augusto estava ao lado, perguntando com seriedade sobre a causa do incêndio.
Acontece que a avó estava rezando na capela e, num descuido, uma faísca da vela atingiu a toalha do altar, incendiando a cortina.
Felizmente, descobriram a tempo e não houve uma tragédia maior.
Ele franziu a testa e instruiu Dona Laura a designar alguém para vigiar as velas o tempo todo de agora em diante.
Os paramédicos fizeram um exame completo na velha senhora e, garantindo que não havia nada grave, foram embora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Divórcio é uma Declaração de Guerra
Espero que ela conte sobre o irmão dele kkkk quero ver a cara de babaca dele kkk...
Até o momento gostando...mas, podia ser nãos curto....