O coração de Alana afundou.
Será que ela perderia duas vezes grandes chances na vida por causa de Arthur?
Alana cerrou os punhos, ganhando coragem para falar:
— Sr. Campos, esse emprego é mesmo importante para mim! Eu lhe dou a minha palavra de que volto uma vez na semana para colaborar com você e com a Dona Vitória.
O homem empurrou a sopa de Alana e bateu com o indicador na sopeira. E a sua voz foi fria e sem sentimentos: — Você aceita o meu dinheiro, mas nem se dá ao trabalho de cumprir o combinado. Que direito você tem de exigir que eu confie na sua palavra?
Alana olhou para aquela sopa, que ele ainda não tinha provado. Sabia que não fora feita por ela, e por isso dizia que ela nem atitude para agir tinha.
Vagamente, Alana sentiu mais dores no abdômen.
No entanto, ela não sabia como abrir a boca nem como convencê-lo. Apenas sabia que deveria agarrar aquela chance.
— Tenho estado ocupada com o trabalho, e é por isso que não pude cozinhar a sopa essa noite...
Arthur ainda não deixou que ela concluísse: — Isso é um problema seu. Se não puder conciliar, peça demissão. Quer o melhor dos dois mundos. Srta. Campos, a sua ganância está sendo um tanto vergonhosa.
O rosto de Alana ficou paralisado.
Tempos atrás ele tinha avisado para não o tratar mais por "Sr. Campos" e que ela mudasse.
Agora, ele a chamava de "Srta. Campos".
Isso desceu-lhe na face feito um tapa frio.
Mostrou a ela que no tempo em que estiveram casados, até quando engravidou dele, ele jamais a vira como esposa.
No fim das contas, ele não achava que o emprego dela não passava daquilo.
Pode ser que, a seus olhos, ela nem chegasse perto daquele gato que ele adotara com Isabella!

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