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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 84

Damon Thorn

A floresta era só cheiro de sangue, carne rasgada e dor. Eu rasgava, mordia, dilacerava qualquer um que se pusesse na minha frente. Não havia pensamento humano. Só instinto. Só o Alfa. Meu pelo estava encharcado, a mandíbula travada, a garganta seca de tanto rosnar. Os uivos dos meus lobos se misturavam aos gritos de desespero dos invasores.

Kael surgiu no meio da clareira, olhos de fera, o sorriso sádico coberto de sangue. Ele era forte, mas não mais forte que minha fúria.

"É tudo o que tem, Damon?" ele gritou, cuspindo sangue no chão. "Vai perder tudo por causa de uma humana? Seu território, sua honra, sua alcateia... Você se esqueceu do que é ser lobo."

Eu pulei sobre ele, garras contra peito, dentes contra garganta. A luta era selvagem. Nos rolamos na lama, quebrando galhos, esmagando terra. Senti meus dentes cortarem a pele dele, o gosto de sangue invadindo minha boca. Ele gritou, tentou se soltar, mas eu era o Alfa, e não ia deixar barato.

"Você nunca vai me vencer, Kael!", rosnei entre os dentes, o ódio me cegando. "Aqui, mando eu!"

Outros lobos vieram, tentando separar, mas minha matilha avançou junto. Era um pandemônio. Meu mundo se resumia a morder, rasgar, destruir.

No fim, Kael se desvencilhou. Vi o medo nos olhos dele — só por um segundo — antes de desaparecer no meio da floresta, junto a Eric e alguns lobos sobreviventes.

Me ergui ofegante, sangue escorrendo pelo peito, a cabeça latejando.

Victor, ainda em forma de lobo, se aproximou, uivando para chamar atenção dos outros. Todos pararam, olhares para mim, esperando comando. O silêncio caiu sobre a clareira. Só restava o cheiro de morte e o gosto de vitória amarga.

Me transformei de volta, os ossos doendo, a pele queimada de adrenalina. Olhei ao redor. Não vi Kael. Não vi Eric.

Porcaria. Esses malditos.

"Reúnam todos. Ninguém vai embora sem que eu autorize", ordenei, a voz rouca. "Contem os nossos. Verifiquem os feridos."

Victor se aproximou, a expressão sombria.

"Alfa... conseguimos. Mas Kael sumiu. Eric também. Eles escaparam."

Meu estômago se revirou. Senti o gelo tomar conta do meu peito. Faltava algo. O cheiro de perigo ainda estava no ar.

"Voltem para a mansão", ordenei. "Quero todos lá, agora."

Corremos juntos, atravessando a floresta, saltando troncos e pedras. O medo apertava meu peito a cada passo. Algo estava errado. Minha mente gritava o nome dela.

Quando alcancei o portão da mansão, tudo parecia intacto. Mas o cheiro... não era certo. Um odor estranho de sangue, de raiva, de traição. Pulei o portão, corri pelos corredores vazios, gritando.

"Hart! Daiana!"

Nenhuma resposta.

A janela da sala estava quebrada. Vidro espalhado pelo chão. Manchas de sangue no tapete.

Victor chegou atrás de mim, ofegante. "Como conseguiram entrar? A mansão é impenetrável..."

Eu já sabia a resposta antes de dizer em voz alta, o nome preso na garganta feito veneno.

Eu me virei para ele, olhos ardendo.

"Eu não vou descansar. Enquanto ela estiver na mão daqueles monstros, eu não paro. Se Kael acha que pode me humilhar… ele vai aprender o que significa mexer com o Alfa Supremo."

Victor fez um gesto de respeito. "Vamos preparar um grupo de busca. Eu conheço rastreadores que podem encontrar qualquer vestígio."

Assenti, mas a voz já era apenas um grunhido. "Quero a cabeça de Eric. Se ele cruzar meu caminho, eu mesmo arranco o coração dele."

Corri para o quarto, senti o cheiro dela em cada lençol, cada roupa caída. Peguei uma camisa dela, pressionei contra o rosto, tentando memorizar o perfume. Era o que me restava.

O lobo dentro de mim urrava, pronto para sair e matar. Mas eu precisava de estratégia, não só de fúria. Eu ia achar Kael, e não importava quem tivesse que destruir no caminho.

O sol já nascia do lado de fora, tingindo a floresta de vermelho, como se o mundo inteiro sangrasse comigo. Reuni os betas, passei as ordens. Era hora de caçar. Nada mais importava.

"Ouçam bem", falei, minha voz firme. "Ninguém dorme até que Hart e Daiana estejam de volta. Se precisarmos atravessar cada centímetro desse maldito território inimigo, vamos atravessar. E eu juro que Kael vai implorar pela própria morte antes do fim."

Eles assentiram, olhos brilhando de lealdade e medo.

Fui até a varanda, encarei a floresta como se ela fosse uma criatura viva e hostil.

"Hart… aguente firme. Eu estou vindo. Não importa quem tente te deter."

Naquele instante, um uivo longo e doloroso cortou o silêncio. Era um aviso — ou um desafio. O mundo já sabia: o Alfa Supremo estava em guerra. E nada seria capaz de pará-lo.

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