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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 188

Stella

Outro solavanco, ainda mais forte, e eu gritei. Minhas unhas se cravaram na poltrona, e uma dor intensa subiu pelo meu braço. Meu corpo estava paralisado de medo, meu peito doía como se alguém estivesse me apertando por dentro. Lágrimas quentes começaram a escorrer sem parar, minha visão ficando turva. Meu corpo inteiro tremia, e eu sentia como se estivesse à beira de um colapso.

— Meu Deus, Eduardo… a gente vai cair! — A frase saiu entre soluços, e minha voz parecia irreconhecível, um sussurro quebrado. A cada nova sacudida, o avião descia bruscamente, e meu estômago se revirava com a sensação de estar em queda livre. O chão parecia fugir debaixo de mim, e eu me agarrava desesperadamente a qualquer coisa, como se aquilo pudesse evitar o inevitável. Minhas pernas, minhas mãos, até minha mente estavam dominadas por um pavor incontrolável. — Eu… eu não consigo respirar…

Eduardo estava ao meu lado, sereno, embora eu soubesse que ele também sentia a tensão. Sua mão tocou a minha com firmeza, e ele me puxou para perto dele.

— Stella, olha para mim. Respira fundo. Estou aqui com você. Respire, meu amor, respire!

Eu queria fazer o que ele dizia, mas era como se meu corpo tivesse se desligado de qualquer comando lógico. O avião sacudiu de novo, um pico ainda mais forte, e senti minha garganta se fechar. Solucei mais alto, um desespero que parecia não ter fim.

— Não… eu… a gente vai morrer… Deus cuide dos… dos meus… fi… filhos!

— Você vai cuidar dos nossos filhos! Não vai acontecer nada, meu amor, eu prometo, — Eduardo sussurrou com calma, sua voz se sobrepondo ao caos ao nosso redor. Ele me segurou com força, os braços me envolvendo como um escudo. Mas o medo era insuportável. Meu corpo todo tremia, meu peito apertava tanto que eu sentia que ia desmaiar. As lágrimas continuavam caindo sem parar, e meu pânico aumentava a cada segundo.

O avião balançava como um brinquedo nas mãos de uma tempestade furiosa, e a sensação de queda livre voltava a cada instante. Meu coração batia descompassado, e eu não conseguia pensar em nada além da ideia de que aquilo era o fim. Eu via flashes da minha vida, das crianças, de tudo o que eu amava, passando diante dos meus olhos. O medo de nunca mais vê-los… de nunca mais segurá-los… o desespero era esmagador.

— Stella, por favor, me escuta. — Eduardo virou meu rosto para ele, e seus olhos estavam firmes, tranquilos, como se nada fosse abalar sua confiança. — Respira comigo, amor. Só respira. Vai passar, eu estou aqui. Estou com você. Sempre. — Sua mão acariciava meu rosto molhado pelas lágrimas, enquanto a outra apertava a minha cintura com força, me prendendo ao presente, me mantendo ancorada.

Eu tentava, entre soluços, seguir a suas palavras, mas meu corpo ainda estava em estado de choque. O avião deu outro salto, e eu gemi, fechando os olhos, esperando o impacto que nunca vinha. Cada segundo parecia uma eternidade.

— Confia em mim, Stella, — ele repetiu suavemente. — Vai ficar tudo bem. Já está passando. Estou aqui, você não está sozinha, meu amor.

Finalmente, depois do que pareceram horas, a turbulência começou a diminuir. O avião estabilizou lentamente, e, ainda ofegante, com o coração disparado, comecei a sentir o pânico dar lugar e um cansaço profundo. Meu corpo tremia, mas as palavras de Eduardo foram como uma âncora no meio da tempestade. Ele continuava ali, me abraçando, sussurrando que tudo estava bem, que eu estava segura.

Eduardo

No momento em que vi Stella começar a tremer, meu coração apertou. Conheço bem minha esposa e sei o quanto ela tenta ser forte, mas o medo que a dominava agora era assustador, nunca a vi assim. A turbulência fazia o avião sacudir de maneira assustadora, mas o que realmente me preocupava era o pânico dela. Seu rosto estava pálido, suas mãos suavam e tremiam, ela soluçava, tentando em vão controlar a respiração.

Eu a puxei para mais perto, tentando transmitir calma, mas a verdade é que o medo também me consumia. Não por mim, mas por ela. Stella estava à beira de um colapso, e eu sabia que o pânico poderia desencadear algo grave como: um desmaio, uma crise de ansiedade, ou até deixar marcas que poderiam perdurar. O que mais me aterrorizava era a possibilidade de ela passar mal ali, sem ajuda imediata, e eu não poder fazer nada para impedir.

A cada nova sacudida do avião, o desespero dela aumentava, e eu lutava para mantê-la conectada à realidade. Tentava controlar meu próprio medo para não piorar a situação, sussurrando palavras de tranquilidade, mesmo sem estar completamente calmo ou com a certeza do que dizia.

“Por favor, amor, aguenta firme," pensei, sentindo meu peito apertar ainda mais. Ver suas lágrimas escorrerem era insuportável. O avião balançando não era o que mais me assustava; era a ideia de perder Stella para o pavor que a consumia.

Quando finalmente o avião se estabilizou e senti o tremor diminuindo, vi que Stella, aos poucos, começava a se acalmar. Só então, com ela mais tranquila, consegui relaxar e soltar a respiração que nem percebi estar prendendo.

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