Eduardo
Alguns anos depois…
Eu me afasto da janela da sala, observando de longe a cena que se desenrola no quintal da cabana. A cabana que, para nós, se tornou um refúgio, para fugirmos da loucura do dia a dia. Um lugar onde as vozes do mundo diminuem e somos apenas uma família, uma família que cresceu e mudou, mas que se tornou o centro da minha vida. O vento sussurra entre as árvores, trazendo consigo o som das risadas que ecoam como música.
Bella está sentada na escada da varanda, observando seus irmãos correndo ao redor do jardim. Bentinho lidera a corrida, seguido de perto por Bia e Beni. Eles têm seis anos agora, e a energia deles é infinita. Bella, com seus doze anos, já não tem a mesma paciência de antes para as brincadeiras com os irmãos. Ela está entrando naquela fase da adolescência onde tudo parece meio chato, e ela começa a se afastar um pouco, buscando seu próprio espaço.
— Pai, eles são tão chatos às vezes, — ela me disse mais cedo. Eu sabia que era apenas a impaciência típica de uma menina de sua idade. E sabia também que era um bom momento para Stella intervir, com sua calma e sabedoria.
Ela não demorou muito para perceber a inquietação de Bella. De onde estou, vejo Stella se aproximar devagar, sentando-se ao lado dela. Ela envolve Bella em um abraço suave, daqueles que só Stella consegue dar. O tipo de abraço que parece dizer: “Eu te entendo. Eu estou aqui."
— Você sabe por que eles imitam tanto você, né? — Stella começa, em sua voz tranquila. Bella, de braços cruzados, olha de relance para os irmãos, que continuam correndo e rindo, sem perceberem que estão sendo observados.
— Porque querem me irritar, provavelmente, — Bella murmura, mas seu tom é mais de curiosidade do que de frustração.
Stella sorri, aquele sorriso calmo que sempre me derrete.
— Não, bobinha... Eles te imitam porque te amam, Bella. Porque você é a irmã mais velha, e eles querem ser como você.
Vejo o rosto de Bella suavizar ligeiramente, mas ela tenta esconder o sorriso que começa a surgir.



Bia corre até a varanda, seu sorriso largo e bochechas rosadas.
— Papai! Vem brincar com a gente! — Ela salta na minha direção, os braços abertos, e eu a levanto no ar, girando-a como se fosse a pessoa mais leve do mundo. E, naquele momento, nada mais importa. Só o som das risadas dela e a forma como ela se agarra a mim, confiando plenamente que estou ali para segurá-la, é o suficiente.
Beni e Bentinho logo se juntam, e em questão de segundos, eu sou engolido por aquele turbilhão de energia infantil. Caímos juntos na grama, e eles me cercam, rindo e brincando, cada um puxando meu braço ou tentando me derrubar de volta no chão. É uma alegria simples, mas que aquece meu coração de uma forma que nada mais consegue.
De longe, vejo Bella observando. Ela não resiste por muito tempo. Lentamente, ela desce os degraus da varanda e se junta a nós. Primeiro, ela finge que não está interessada, mas logo está rindo com os irmãos, envolvida na brincadeira. Meu coração quase explode de felicidade ao ver a conexão deles.
E então, como se a vida estivesse perfeitamente coreografada, Stella aparece na porta, com um avental amarrado na cintura e aquele brilho no olhar que sempre me faz lembrar do porquê eu me apaixonei por ela. O que me encanta mais nela, é por mais que seu status seja diferente, ela continua com sua simplicidade, suas raízes.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços do Coração.A babá do Destino.