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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 177

Dois anos depois…

Stella

O sol estava nascendo, iluminando suavemente o céu com tons de rosa e dourado. Eu observava a luz filtrada pela janela, sentindo o coração bater acelerado no peito. Dois anos haviam se passado desde aquele dia no hospital, e agora, depois de tudo, o grande momento havia chegado. Era o meu casamento. “Nosso” casamento. Eduardo e eu iríamos finalmente oficializar o que nossos corações já sabiam há muito tempo.

Sonhei com esse momento desde menina. Sonhava em entrar na igreja com um vestido rodado, igual das princesas dos contos de fada, bem branquinho, com caimento do ombro, e com lindas pedras pequenas e brilhantes, claro e com véu e grinalda… A vida, claro, me ensinou que o amor não era sempre um conto de fadas, mas com Eduardo, aprendi que o amor verdadeiro, aquele que resiste a tudo, era possível. E agora, enquanto ajeitava o véu no espelho, um sorriso tímido escapou dos meus lábios. Estava realizando o meu sonho! Eu estava nervosa, sim, mas não pelo medo de casar. Era a antecipação de ver a vida que construímos ser celebrada diante de quem mais amamos.

Eu estava em frente ao espelho, ajustando o vestido e tentando manter a calma. Todos ao meu redor pareciam ansiosos, mas eu só conseguia pensar em uma coisa: meu pai. Por mais que nos víssemos em eventos de família e tentássemos conversar, aquela conexão especial que sempre tivemos parecia estar sumindo. Era como se algo essencial tivesse se quebrado entre nós.

Lembro-me de quando éramos inseparáveis. Assistir aos filmes dos irmãos Trinity juntos era o nosso ritual. Ríamos das mesmas piadas, compartilhávamos olhares cúmplices, e eu me sentia segura ao lado dele. Mas agora, por mais que eu quisesse, aquela sintonia não estava mais lá. Cada encontro parecia forçado, como se estivéssemos apenas cumprindo uma obrigação social, e não compartilhando momentos de verdade.

Talvez ele também sentisse isso, mas nenhum de nós falava sobre o assunto. Hoje, quem entrará comigo é o Leonardo. Meu irmão sempre esteve ao meu lado, e sei que ele se preocupa muito comigo. É um conforto saber que ele estará comigo neste momento, mas, ao mesmo tempo, é impossível não sentir a ausência do meu pai.

Enquanto me olho no espelho, não posso deixar de pensar no que poderia ter sido. No que perdemos ao longo do caminho. Tento afastar esses pensamentos, mas a tristeza insiste em permanecer. Não sei se algum dia conseguiremos voltar ao que éramos antes, mas por agora, preciso seguir em frente, com o Leonardo ao meu lado e essa sensação de vazio no peito.

No quarto ao lado, Bella ria com Beni e Bia, ajudando os irmãos a se prepararem. Cada gargalhada dela me enchia de um calor indescritível. Eles haviam crescido tanto nesses dois anos. Eu sabia que quando eles entrassem na cerimônia para nos entregar as alianças, não haveria um olho seco no jardim.

Eduardo estaria lá, me esperando, com aquele sorriso que sempre conseguia me acalmar, mesmo nos momentos mais difíceis. Apesar de todas as turbulências que enfrentamos, ele ainda era o homem que escolhi para estar ao meu lado. Hoje, mais do que nunca, eu precisava me agarrar a essa certeza. E, por mais que o vazio deixado pela distância do meu pai me acompanhasse, sabia que tinha pessoas ao meu redor que me amavam e me apoiavam incondicionalmente.

Leonardo entraria comigo, e meus filhos estariam lá, testemunhando tudo. Essa nova fase da minha vida seria construída com o amor e o apoio deles. Mesmo que algumas partes do passado ainda machucassem, eu estava pronta para seguir em frente, de mãos dadas com aqueles que realmente importavam.

— Stella, eu… eu não sei como dizer isso. Fiquei aqui fora, te observando se preparar, e meu coração… meu coração apertou de um jeito que não consigo explicar. Lembrei de quando você era pequena, correndo pela varanda, sempre tão cheia de vida. Lembrei de você me mostrando seus desenhos, suas bonecas, e de mim… sempre tão rígido, tão distante.

Minhas mãos apertaram o tecido do vestido, tentando me ancorar naquela realidade, porque eu sabia para onde aquilo estava indo. Mas não tinha certeza se estava pronta.

Ele continuou, a voz cada vez mais trêmula.

— Fui injusto com você, filha. Fui egoísta. Quando você decidiu seguir seus sonhos, eu... eu não soube lidar com isso. Fiquei com medo. Medo de te perder. Medo de que se conectasse a família que um dia me virou as costas… e de certa forma foi o que aconteceu! — Ele diz com um sorriso quase imperceptível — Em fim, em vez de te apoiar, fiz exatamente o que mais temia, o que jurei que nunca faria com emus filhos: te afastei, como meu pai fez comigo. Mandei você embora de casa, tratei seus sonhos como se fossem uma afronta à minha vida.

As lágrimas começaram a se formar nos meus olhos. As lembranças vieram como uma enxurrada — as brigas, as palavras duras, o silêncio cortante. Tudo estava de volta

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