A polícia recebeu uma denúncia de um cidadão preocupado, informando que encontrou um celular e um par de sapatos na beira do rio.
Quando Edite e Branca chegaram à delegacia, os policiais estavam verificando as câmeras de segurança.
Uma jovem policial entregou a Edite o celular e os sapatos, que estavam em um saco plástico, pedindo para que ela os identificasse.
O celular era de Beatriz.
Aqueles sapatos... Edite os havia comprado com ela no shopping há poucos dias.
Edite os reconheceu, mas balançou a cabeça em negação.
"Não são da minha mãe, não são..."
"Edite, não fica assim." Branca disse, segurando o choro, "Precisamos cooperar com a polícia. Vai que a tia foi para outro lugar depois?"
Edite fixou o olhar no celular e nos sapatos à sua frente e, em desespero, fechou os olhos lentamente. "São da minha mãe."
A policial tentou confortá-la suavemente: "Calma, estamos verificando as câmeras. Assim que tivermos alguma notícia, informaremos vocês."
Edite assentiu, apertando as mãos uma contra a outra até ficarem brancas.
...
Havia várias câmeras de segurança ao longo do rio, e através delas, a polícia confirmou que Beatriz havia pulado no rio às 19h19 da noite anterior.
As imagens mostravam Beatriz à beira do rio por mais de uma hora antes de pular.
O céu já estava escuro, e não era possível ver a expressão de Beatriz nas imagens.
Edite observava Beatriz nas câmeras.
Ela se perguntava o que a mãe estava pensando naquela hora.
Ninguém podia lhe dar uma resposta.
Ela também se perguntava o que estava fazendo enquanto sua mãe vagava pela margem do rio.
Estava olhando passagens de avião, planejando uma viagem.
Ela tinha planos de levar a mãe para Baía Dourada após a cirurgia, para relaxar.
Mas antes que pudesse comprar as passagens, recebeu a ligação de Dona Gabriela.
Edite olhou fixamente para as imagens, vendo Beatriz passar pelas grades, abrir os braços e se lançar em direção ao rio—
De acordo com o procedimento policial, mesmo sabendo que as chances de sobrevivência em um clima tão severo eram mínimas, as buscas deveriam ser realizadas.
O oficial responsável pelo caso informou Edite, preparando-a para o pior: se após três dias a busca não fosse bem-sucedida, a probabilidade do corpo ter sido levado pelas correntes para o mar aberto era alta.
Ou seja, os três primeiros dias eram cruciais para encontrar alguém.
Embora tenha usado o termo "encontrar alguém", todos sabiam bem que Beatriz não voltaria.
Ao sair da delegacia, Edite permaneceu em silêncio.
Ela segurava o celular e os sapatos da mãe com força, caminhando como um fantoche, passo a passo.
Branca a guiou em direção ao carro estacionado na rua.
Um Maybach preto se aproximou, parando ao lado da calçada.
A porta se abriu, e Davi e Sérgio saíram do carro.
Ao ver Davi, Branca franziu a testa, enxugando as lágrimas do rosto, e reclamou com Sérgio: "Dr. Salazar, por que você trouxe ele aqui?"
Sérgio, que acabara de descobrir a verdade, quis defendê-lo, mas ao ver o olhar ressentido de Branca, permaneceu em silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...