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Laço de Sangue? Laço de Mentira! romance Capítulo 91

A polícia recebeu uma denúncia de um cidadão preocupado, informando que encontrou um celular e um par de sapatos na beira do rio.

Quando Edite e Branca chegaram à delegacia, os policiais estavam verificando as câmeras de segurança.

Uma jovem policial entregou a Edite o celular e os sapatos, que estavam em um saco plástico, pedindo para que ela os identificasse.

O celular era de Beatriz.

Aqueles sapatos... Edite os havia comprado com ela no shopping há poucos dias.

Edite os reconheceu, mas balançou a cabeça em negação.

"Não são da minha mãe, não são..."

"Edite, não fica assim." Branca disse, segurando o choro, "Precisamos cooperar com a polícia. Vai que a tia foi para outro lugar depois?"

Edite fixou o olhar no celular e nos sapatos à sua frente e, em desespero, fechou os olhos lentamente. "São da minha mãe."

A policial tentou confortá-la suavemente: "Calma, estamos verificando as câmeras. Assim que tivermos alguma notícia, informaremos vocês."

Edite assentiu, apertando as mãos uma contra a outra até ficarem brancas.

...

Havia várias câmeras de segurança ao longo do rio, e através delas, a polícia confirmou que Beatriz havia pulado no rio às 19h19 da noite anterior.

As imagens mostravam Beatriz à beira do rio por mais de uma hora antes de pular.

O céu já estava escuro, e não era possível ver a expressão de Beatriz nas imagens.

Edite observava Beatriz nas câmeras.

Ela se perguntava o que a mãe estava pensando naquela hora.

Ninguém podia lhe dar uma resposta.

Ela também se perguntava o que estava fazendo enquanto sua mãe vagava pela margem do rio.

Estava olhando passagens de avião, planejando uma viagem.

Ela tinha planos de levar a mãe para Baía Dourada após a cirurgia, para relaxar.

Mas antes que pudesse comprar as passagens, recebeu a ligação de Dona Gabriela.

Edite olhou fixamente para as imagens, vendo Beatriz passar pelas grades, abrir os braços e se lançar em direção ao rio—

De acordo com o procedimento policial, mesmo sabendo que as chances de sobrevivência em um clima tão severo eram mínimas, as buscas deveriam ser realizadas.

O oficial responsável pelo caso informou Edite, preparando-a para o pior: se após três dias a busca não fosse bem-sucedida, a probabilidade do corpo ter sido levado pelas correntes para o mar aberto era alta.

Ou seja, os três primeiros dias eram cruciais para encontrar alguém.

Embora tenha usado o termo "encontrar alguém", todos sabiam bem que Beatriz não voltaria.

Ao sair da delegacia, Edite permaneceu em silêncio.

Ela segurava o celular e os sapatos da mãe com força, caminhando como um fantoche, passo a passo.

Branca a guiou em direção ao carro estacionado na rua.

Um Maybach preto se aproximou, parando ao lado da calçada.

A porta se abriu, e Davi e Sérgio saíram do carro.

Ao ver Davi, Branca franziu a testa, enxugando as lágrimas do rosto, e reclamou com Sérgio: "Dr. Salazar, por que você trouxe ele aqui?"

Sérgio, que acabara de descobrir a verdade, quis defendê-lo, mas ao ver o olhar ressentido de Branca, permaneceu em silêncio.

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