"Sinto muito, foi uma falta de consideração minha. Achei que, já que o Davi começou a ajudar, ele, sendo quem é, iria até o fim."
Sérgio fez uma pausa e continuou: "Srta. Resende, sei que você não é do tipo que se intromete nos relacionamentos dos outros. Se minhas atitudes ou palavras a ofenderam, peço desculpas sinceras."
"Dr. Salazar, não precisa exagerar." Edite sorriu levemente. "Eu e o Davi nem amigos somos. Melhor não mencioná-lo sempre na minha frente, para evitar mal-entendidos."
Sérgio concordou com um aceno de cabeça. "Você tem razão, vou prestar atenção nisso."
Do lado de fora do quarto semiaberto, um homem observava Edite pela fresta da porta.
O rosto dela, branco como papel, estava parcialmente coberto por bandagens grossas na testa, uma visão que provocava compaixão.
Ainda assim, seus olhos estavam indiferentes, e sua voz, ao pronunciar aquelas palavras, não mostrava qualquer emoção.
Davi franziu as sobrancelhas escuras, observou por mais um instante e, de repente, esboçou um sorriso frio.
Após alguns momentos, ele desviou o olhar, virou-se e saiu.
Uma enfermeira empurrando um carrinho de medicamentos passou e notou uma cesta de frutas ao lado da lixeira.
"Quem será que jogou uma cesta de frutas tão boa no lixo?"
A enfermeira examinou a cesta, a embalagem era requintada e as frutas pareciam ser de primeira qualidade...
Davi estava envolvido recentemente em um caso de abuso sexual de menor. Os pais da vítima eram trabalhadores imigrantes, os agressores, quatro jovens da elite local, tornando o caso complicado devido às questões sociais envolvidas.
Nos últimos dias, Davi estava praticamente mergulhado nesse caso.
Naquela manhã, os pais da vítima procuraram o escritório novamente, relatando que estavam sendo ameaçados de retaliação.
Davi os tranquilizou, prometeu fazer o possível para vencer o caso, e pediu que seu assistente os acompanhasse de volta em segurança.
Assim que os pais da vítima saíram, o telefone de Davi tocou. Era Sérgio.
Davi atendeu, caminhando até a janela panorâmica, pressionando a testa com os dedos, "O que houve?"
"Pensei nisso a noite toda e acho que você deveria ajudar a resolver a situação com o Luciano. Uma vez que você começou a ajudar, vai até o fim."
Ao ouvir isso, Davi parou o gesto, seus olhos escureceram ligeiramente. "Você está realmente preocupado com a Edite."
"Claro, eu me preocupo com todos os meus pacientes!" Sérgio suspirou. "Faça isso por mim. Eu tenho certeza que a Família Resende não vai ceder facilmente, mas se for você a intervir, não haverá problema!"
Nuno sentiu um frio na espinha com aquele olhar, afastou-se rapidamente, apontando para Beatriz do lado de fora. "Sr. Fortes, a Sra. Cardoso veio visitá-lo."
Na porta, Beatriz estava ao lado de Dona Gabriela, ambas segurando caixas de presente.
Ao ver Beatriz, Davi ficou surpreso.
Beatriz entrou, olhando para Davi, a voz tensa, "Sr. Fortes, você disse que Edite foi procurar a Família Resende? Por que ela faria isso?"
Davi olhou para Nuno. "Peça para trazerem um chá."
Ele então voltou-se para Beatriz, sua voz grave, "Por favor, sente-se."
Beatriz balançou a cabeça, "Sr. Fortes, eu vim apenas trazer um presente de Ano Novo, então não vou tomar chá. Mas acabei de ouvir você no telefone. Você mencionou que a Edite foi procurar a Família Resende, o que está acontecendo?"
"Não se preocupe, primeiro..."
"Davi, trouxe um café americano para você..."
Rafaela entrou pela porta com um sorriso no rosto, segurando uma xícara de café americano, mas parou ao ver Beatriz, "Sra. Cardoso?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...