Davi não respondeu à pergunta de Sérgio, apenas perguntou: "Você acabou de sair da sala de emergência?"
"Sim!" Sérgio se aproximou e sentou-se em frente a Davi, relaxando suas costas largas no sofá. "Estou exausto, foi uma corrida contra o tempo para salvar a vida dele. Se chegássemos um minuto mais tarde, ele não teria sobrevivido!"
Ao ouvir isso, a testa de Davi franziu. "Tão grave assim?"
"Claro! Ele teve hemorragia interna. Conseguimos estabilizá-lo, mas ainda precisa ficar alguns dias na UTI..."
"Hemorragia interna?" Davi interrompeu Sérgio, seus olhos fixos e intensos, como se uma tempestade estivesse se formando dentro deles.
Sérgio, por sua vez, estava com os olhos fechados, massageando o pescoço dolorido, sem perceber a mudança no humor de Davi.
"Pois é, ontem estava tudo bem, e hoje, do nada, isso acontece. Por isso, digo sempre que devemos valorizar cada momento, porque nunca sabemos o que o futuro reserva, assim como esse meu paciente..."
"Onde ele está?"
Sérgio: "?"
Ele abriu os olhos, assustado com a expressão sombria de Davi. "O que aconteceu com você?"
"Hemorragia interna, quem fez isso?" A voz de Davi era fria, carregada de uma raiva inegável.
"Fez?" Sérgio se endireitou, olhando para Davi com um misto de confusão e preocupação. "Cara, é um senhor de oitenta anos, quem iria agredi-lo?"
Davi ficou surpreso.
"Um senhor?" Ele franziu a testa, relaxando um pouco os punhos cerrados. "A pessoa que você salvou é..."
"Meu paciente!" Sérgio achou que Davi estava agindo de forma estranha. "Por que você está preocupado com um senhor de oitenta anos? Não quer saber por que eu te procurei hoje de manhã?"
Davi permaneceu em silêncio, mas seu olhar para Sérgio agora tinha um toque de desdém.
Sérgio estava confuso com o olhar de Davi.
"Davi, o que há de errado com você? Está agindo de forma estranha! Aconteceu algo sério por você não ter atendido o telefone de manhã? Você sabe... Ei! Eu ainda não terminei de falar, e você já vai embora? Davi..."
Com um estrondo, a porta do escritório foi aberta e fechada novamente.
Sérgio olhou para a porta fechada, franzindo a testa e murmurando: "Que coisa estranha..."
-
No quarto do hospital, Edite tinha acabado de acordar.
Branca estava ao seu lado e, ao ver que ela havia despertado, perguntou como ela estava se sentindo.
"Branca, me desculpe, eu não pensei direito."
"Você deveria pedir desculpas à Sra. Cardoso." Branca fez uma pausa, seu rosto assumindo uma expressão séria. "Ela descobriu sobre a leucemia dela."
Edite ficou surpresa. "Como ela ficou sabendo?"
"Dona Gabriela disse que parece que um médico estagiário novo deixou escapar."
"Não posso deixar assim, preciso ir vê-la..."
"Como você acha que vai assim agora?" Branca segurou Edite, impedindo-a de se mover. "Fica tranquila, a Dona Cardoso está bastante estável. Ela só insiste em querer voltar para casa para o Ano Novo. Depois de conversar com o Dr. Salazar, decidimos que a Dona Gabriela a levaria para casa por enquanto."
Ao ouvir isso, Edite finalmente conseguiu respirar um pouco aliviada.
"Você deveria se preocupar mais com você mesma agora." Branca olhou para a barriga de Edite. "Você bateu a cabeça, mas esses dois pequeninos estão bem."
Edite ficou em silêncio por um momento, então estendeu a mão para tocar a barriga.
"Você pode perguntar para a Dona Rocha se a cirurgia ainda pode ser feita à tarde?"
Branca ficou surpresa ao ouvir isso. "Você está falando sério?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...