A manta escorregou de Edite e caiu sobre o chão coberto de neve.
O frio cortante ao redor a fez estremecer.
"Quando Paulo jogou algo em você, a primeira coisa que fez foi proteger sua barriga."
Ao ouvir isso, Edite prendeu a respiração.
Ela não esperava que Davi fosse tão observador.
Não era à toa que ele já tinha sido pai; parecia que, quando Rafaela estava grávida, Davi fez sua lição de casa direitinho.
Mas agora, qual era a relação entre sua possível gravidez e Davi?
Ela já tinha decidido que não teria filhos.
Um filho que estava destinado a não vir ao mundo, Davi não precisava saber sobre isso!
Edite se acalmou, levantou a cabeça e olhou para Davi.
Os olhares se cruzaram, os olhos dele eram escuros e penetrantes, como se quisessem desvendar todos os seus segredos.
Edite não desviou o olhar e disse calmamente: "É só que estou menstruada hoje e minha barriga está um pouco desconfortável."
Davi a observou, tentando encontrar algum sinal de que ela estivesse mentindo.
Mas Edite estava incrivelmente calma.
Ele falou com uma frieza cortante: "É melhor que você não esteja mentindo."
Edite deu uma risada irônica, "Por quê? Está com medo de que eu tenha um filho e que ele dispute a posição de herdeiro da Família Fortes com Paulo?"
"Edite." Davi passou a mão suavemente sobre o ventre liso dela, "É melhor que você não esteja grávida."
"Você deve estar louco!" Edite empurrou a mão dele com força, tentando se afastar, mas seu pulso ainda estava firmemente preso por ele.
"Davi, me solta!"
Ele não a soltou, observando seu rosto irritado, continuou a provocá-la: "Da última vez, no hospital, você vomitou e disse que era por causa do estômago. Na verdade, era enjoo matinal, não era?"
"Eu não entendo do que você está falando!"
Edite não conseguia afastá-lo, então simplesmente levantou a mão e deu um tapa em Davi!
O som claro do tapa misturou-se com o vento e a neve.
Davi ficou surpreso, não esperava que Edite fosse reagir assim.
"Davi, espero que, de agora em diante, não tenhamos mais nada a ver um com o outro. E se nos encontrarmos por acaso, que sejamos apenas estranhos."
Edite terminou, virou-se e abriu a porta do carro, entrando sem hesitar.
Desta vez, Davi não a deteve.
Ele ficou ali, a expressão fria oculta pelo vento e pela neve, ninguém podia ver seu semblante naquele momento.
‘Pum’
A porta do carro se fechou, isolando o clima rigoroso do lado de fora.
Edite sacudiu a neve da manta e seu corpo, antes tremendo, lentamente relaxou.
Ela olhou para frente, com uma expressão impassível, "Branca, vamos embora."
Branca olhou instintivamente para fora da janela.
O homem não se mexeu, nem tentou impedi-la novamente.
Ela suspirou aliviada, soltou o freio e deu a volta com o carro.
O veículo seguiu em frente, desaparecendo gradualmente na neve e no vento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...