Edite foi a primeira a desviar o olhar e, encarando a senhora, disse: "Você está enganada, ele não é meu marido."
"O quê?" A senhora ficou surpresa, era a primeira vez em anos de vendas que cometia um erro desses. Depois de um momento, apenas conseguiu dizer: "Entendi..."
Edite não se prendeu a esse pequeno mal-entendido. Pegou uma bandeja de costelas embaladas do balcão de carnes frescas e se dirigiu à seção de frutas e legumes.
Davi observava seu vulto, seus olhos emanando um frio intenso.
...
Ao meio-dia, Edite já estava de volta à Mansão Anjo.
Foi direto para a cozinha preparar o almoço.
Paulo estava na sala, entretido com seu novo brinquedo.
Assim que Edite colocou o avental, a porta de vidro da cozinha foi aberta.
Ela olhou para trás e viu Davi entrando.
"Está precisando de alguma coisa?"
Davi examinou os ingredientes sobre a bancada e perguntou com indiferença: "Quer ajuda?"
"Não, obrigada." Edite voltou-se, focando-se em suas tarefas.
Davi permaneceu ali por um momento, observando-a, antes de sair.
Edite ligou a torneira e começou a lavar os legumes...
Logo, Davi retornou.
"Use isso."
Edite fez uma pausa, olhando para as luvas de plástico que ele estendia, franzindo levemente a testa.
"A queimadura nas suas mãos ainda está recente, é melhor usar luvas."
Ao ouvir isso, Edite olhou para a pequena área de pele ainda ligeiramente avermelhada em sua mão.
A pele nova ainda era bastante sensível.
Ela aceitou as luvas, com uma voz fria, "Obrigada, você pode ir agora."
Davi saiu da cozinha sem mais demora.
Paulo queria muitos pratos, mas Edite, considerando que ele tinha se recuperado recentemente de uma pneumonia, escolheu opções mais leves e nutritivas.
Ao longo dos anos, ela havia pesquisado várias receitas, todas adequadas para crianças com o estômago e intestinos mais frágeis.
Cozinhar era um trabalho árduo, mas com cinco anos de prática, ela já estava habituada.
Cerca de uma hora depois, cinco pratos e uma sopa estavam prontos na mesa.
"Paulo, o almoço está pronto, vai lavar as mãos para comer."
"Mamãe, por que você não serviu arroz para o papai hoje?"
Edite parou de pegar os legumes, "Seu pai é adulto, ele pode se servir."
"Então por que você servia antes?" Paulo perguntou inocentemente: "Mamãe, você brigou com o papai?"
"Não brigamos."
Quando Edite disse isso, Davi estava voltando da cozinha.
Ao ouvir suas palavras, seu semblante sombrio melhorou visivelmente.
Sentou-se novamente, pegou um pedaço de carne com o garfo e mastigou lentamente, observando Edite com atenção.
Seu modo de comer era elegante. Embora sua expressão permanecesse distante, um olhar mais atento mostraria que ele estava de melhor humor.
Infelizmente, Edite não lhe dirigiu um único olhar.
Ela não estava com muito apetite nos últimos dias, mas conseguiu tomar duas tigelas pequenas de sopa.
"Mamãe! Hoje à noite quero dormir com você!" Paulo disse, enquanto mordia uma costela: "Você pode ficar em casa comigo, por favor?"
Ao ouvir isso, Edite colocou o garfo de lado.
Ela sabia que era hora de esclarecer tudo.
Observando Paulo engolir o que estava na boca, Edite finalmente falou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...