Na manhã seguinte, Edite acordou às sete horas.
Kelly ainda dormia profundamente.
Ela se aproximou e esfregou o rosto macio da filha, dando-lhe alguns beijos.
A menininha fez um biquinho, incomodada pelos beijos, virou-se e murmurou com a voz suave de criança: "Mamãe, mais cinco minutinhos, tá~~"
Edite riu baixinho, ajeitou o edredom da filha e levantou-se da cama.
Ainda era cedo. Depois de se lavar e trocar de roupa, Edite se maquiou levemente.
Naquele dia, ela iria buscar o certificado de divórcio. Era uma boa ocasião e ela queria estar apresentável!
Quando Edite desceu as escadas, encontrou Emerson entrando pela porta.
Emerson trazia nos braços um buquê de rosas brancas.
Edite não sabia se ria ou chorava. "Você realmente foi comprar flores logo cedo?"
"Reservei ontem à noite, o entregador acabou de chegar."
Emerson se aproximou e lhe entregou as rosas brancas. "Feliz divórcio!"
Edite pegou as flores, aproximou-se para sentir o perfume, olhou para ele com um sorriso nos olhos. "Obrigada."
Dona Rosa saiu da cozinha, trazendo uma tigela de macarrão de trigo fino. "Srta. Resende, senhor, venham tomar café da manhã primeiro. Comam bem antes de sair, ainda é cedo!"
De fato, ainda era cedo.
Mesmo depois do café da manhã, ainda não eram oito horas.
Era certo que Emerson acompanharia Edite.
Mas ela não permitiu que ele levasse aquelas rosas brancas, de jeito nenhum.
Ela não queria chamar atenção.
Emerson achou uma pena, mas compreendia o jeito de Edite. Ela nunca fora de atitudes chamativas.
"Ei, você acha que esse jeito extrovertido da Kelly veio de quem?"
Edite olhou para ele. "Você já pensou que talvez não seja herança? Pode ser, quem sabe, influência do padrinho?"
Emerson parou e logo percebeu que Edite estava insinuando que ele era o extrovertido.
"É bom que seja como eu, assim nunca vai engolir desaforo, responde quando precisa, foge de homem sem valor, que ótimo!"
Edite apenas sorriu, sem comentar.
Mas, de fato, ela também achava que era bom a filha não ter o mesmo temperamento que ela, sendo mais aberta e sociável, sem se consumir por dentro.
...
Os dois tomaram uma xícara de chá, e, vendo que já estava na hora, saíram em direção ao cartório.
O trânsito estava ótimo naquele dia; do bairro Asa de Nuvem até o cartório, foram só sinais verdes.
Emerson até comentou, admirado: "Parece que até Deus está ajudando a gente hoje!"
Edite levantou os olhos para o céu pela janela.
O sol brilhava forte, sem uma única nuvem.
Nesse momento, Sérgio entrou apressado pela porta.
"Não cheguei tarde, né?"
Sérgio se aproximou, olhou para Edite e depois para Davi.
Ao ver Davi insistindo em ficar de pé e caminhar sozinho, Sérgio ficou dividido entre a irritação e a resignação.
Mas, como homem, entendia o que Davi sentia naquele momento.
Ele não queria mostrar nenhuma fraqueza naquela hora.
Edite tirou o acordo de divórcio da bolsa e, olhando para Davi, disse: "Já assinei. Quer conferir?"
"Não precisa." Davi a encarou, o olhar profundo. "O acordo foi feito por mim. Já tivemos audiência, com acordo e sentença. Hoje é só formalizar."
Diante disso, Edite não disse mais nada.
Davi pegou a senha que já havia retirado. "Já vai ser a nossa vez."
Edite assentiu e foi sentar-se em uma cadeira vazia ao lado.
Emerson puxou Sérgio para o lado e perguntou baixinho: "Davi não parece nada bem, né?"
"Na verdade, ele nem deveria ter saído do hospital. Acabou de sair da UTI ontem, quem mais seria tão teimoso?"
Sérgio olhou para Davi, que caminhava lentamente até Edite, com expressão preocupada. "Ele está se esforçando ao máximo."
Emerson ficou em silêncio ao ouvir isso.
Apesar de não gostar de Davi, sabia que ele só estava assim porque Edite o ferira. Se ele morresse, Edite teria isso nas costas para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...