"Papai." Paulo levantou-se apressado e foi até Davi. "Papai, não fique bravo, fui eu que quis vir."
Ao ouvir isso, Davi olhou para Paulo.
"Paulo, não pense que só porque você é pequeno eu vou passar a mão na sua cabeça."
Paulo ficou paralisado.
Era a primeira vez que seu pai se irritava com ele.
Ele mal podia acreditar, fitando Davi com olhos cheios de expectativa.
"Papai..." Lágrimas começaram a se acumular em seus olhos. "Eu só estava com saudade da mamãe..."
Rafaela se levantou e puxou Paulo para trás dela, protegendo-o. "Davi, não faça isso, Paulo ainda é uma criança, ele não entende nada. A culpa é minha, faça o que quiser comigo, mas não desconte no Paulo."
Protegido por Rafaela, Paulo sentiu pela primeira vez o verdadeiro amor de mãe.
"Mamãe..."
"Paulo, não tenha medo!" A voz de Rafaela era suave, tentando acalmar o filho. "Mamãe e papai só tiveram um mal-entendido."
Paulo enxugou o nariz e olhou para Davi. "Papai, a mamãe ainda está doente, e o pulso dela ainda está machucado…"
Davi olhou para Paulo. "Vou dizer só uma vez, venha aqui."
Paulo hesitou por um instante, mas abaixou a cabeça e caminhou até Davi.
Davi falou friamente: "Espere por mim no carro."
Paulo hesitou mais um pouco, assentiu e saiu cabisbaixo.
"Paulo..." Rafaela tentou ir atrás dele, mas Davi a segurou com força.
"Rafaela, já disse, Paulo não tem mais nada a ver com você!"
A dor no braço, apertado por Davi, era lancinante. Chorando, Rafaela suplicou: "Paulo é meu filho, eu quase perdi a vida para dar à luz a ele, Davi, por favor, não seja tão cruel comigo."
"Eu sou cruel?" Os olhos de Davi estavam sombrios. "Você matou o meu filho, quem é o verdadeiro cruel aqui?"
"Não fui eu..." Rafaela balançou a cabeça. "Naquele dia, eu realmente fui procurar a Edite, mas não fiz nada, foi ela quem caiu sozinha e perdeu o bebê. Eu só queria que ela tratasse bem o Paulo..."
"Paulo." Davi olhou para o filho, a quem sempre mimou, e sentiu um desapontamento profundo. "Você sabe o que ela fez?"
"Eu não sei," Paulo franziu a testa, "só sei que, não importa o que aconteça, ela é minha mãe, e eu não vou ficar parado vendo você machucá-la!"
Davi soltou uma risada fria. "Paulo, se você se importa tanto com ela, já pensou na sua mãe Edite?"
Paulo ficou surpreso.
"Foi ela quem causou o sofrimento da sua mãe Edite, foi ela quem fez você perder um irmão."
Paulo arregalou os olhos, sem conseguir acreditar!
Quatro anos atrás ele tinha apenas cinco anos, e as coisas que Elizabete Costa o ensinara a fazer ainda eram confusas em sua mente.
Ele só se lembrava que Edite estava grávida, e tanto a avó quanto a mãe sempre lhe diziam que, se Edite tivesse um filho próprio, não cuidaria mais dele.
Depois, Edite de fato foi embora.
O papai dissera que ela foi viver bem longe, em outro lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...