"Branca," ela fixava o olhar no lustre de cristal no teto, seus olhos vazios e a voz rouca quase inaudível, "eu sonhei com meu avô e minha mãe..."
Branca sentiu o coração apertar, torceu uma toalha morna e começou a limpar o suor e as lágrimas do rosto dela.
"Quando estamos doentes, é comum sonharmos com as pessoas que mais nos importam."
Branca continuou: "Você teve febre baixa durante o dia, usei álcool para baixar a temperatura. Davi trouxe alguns remédios da farmácia local, e para não levantar suspeitas, aceitei. Mais tarde, o Dr. Salazar quis vir te ver, mas eu recusei."
Edite piscou, sem saber se tinha ouvido Branca, e continuou descrevendo seu sonho.
"No sonho, eu estava perdida, havia um túnel muito, muito longo. Meu avô me chamava por trás, e minha mãe me impedia de ir em frente..."
Branca gentilmente soltou a mão dela que agarrava o cobertor com força, envolvendo sua mão fria na toalha quente.
"Minha mãe me dizia para voltar, que eu também seria mãe e não podia ir lá..."
Branca abaixou a cabeça, apertando os lábios com força, os olhos começando a marejar.
A voz rouca de Edite foi ficando engasgada, ela fechou os olhos e murmurou quase sem fôlego: "Mas estou tão cansada..."
Com os olhos lentamente se fechando, uma lágrima quente escorreu pelo canto.
Edite adormeceu novamente.
Lá fora, já era noite fechada.
Naquele momento, eram sete e meia da noite em um país fictício da América Latina.
Branca verificou a temperatura dela, suspirando sem ter o que fazer.
Toda essa jornada de estresse físico e emocional, somada à sua gravidez que deixava as emoções mais à flor da pele, como não cair?
Toc, toc—
A porta do quarto foi batida.
Branca levantou-se, olhou pelo olho mágico e só então abriu a porta.
Do lado de fora, Sérgio entregou uma caixa de comida para Branca. "Jantar."
Branca pegou, deu uma olhada ao redor e perguntou: "E o Davi?"
"Não sei." Sérgio deu de ombros. "Na hora do jantar ele sumiu, então desci para comer e trouxe algo pra você."
Depois de uma pausa, Sérgio perguntou: "Como ela está?"
Edite estava prestes a sair da cama quando Branca acordou com um sobressalto.
Vendo que Edite estava acordada e prestes a se levantar, Branca rapidamente disse: "Não se mova, eu vou abrir a porta!"
Enquanto falava, ela já tinha pulado da cama, calçado os chinelos e corrido para abrir a porta.
Do lado de fora, Davi e Sérgio estavam lado a lado.
"Ela está melhor?" Davi perguntou.
Branca olhou para Edite.
Edite ouviu o que Davi disse e fez um sinal afirmativo com a cabeça para Branca.
Branca virou-se para Davi. "Ela acabou de acordar, parece estar bem melhor. O que você quer que ela faça?"
"Que ela se arrume e desça, estou esperando por ela lá embaixo." Davi disse em um tom baixo.
Branca questionou: "Para onde? Fazer o quê?"
Davi apenas respondeu calmamente: "Quando chegarmos lá, você saberá."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...