Nuno estacionou o carro ao pé da montanha.
Davi segurou a mão de Paulo enquanto subiam juntos a trilha da montanha.
Na entrada do cemitério, uma fileira de árvores verdes e vibrantes ladeava o caminho, com árvores altas e arbustos baixos entrelaçados, formando um cenário único, como se fossem guardiões do lugar.
No centro de uma praça ampla e solene, erguia-se um majestoso monumento que parecia tocar o céu.
Davi parou com Paulo diante do monumento e depositou uma coroa de flores.
O ar estava carregado de silêncio.
Era a primeira vez que Paulo visitava o lugar, e ele olhava ao redor, curioso.
Davi apertou a pequena mão dele e começou a caminhar em direção ao cemitério no topo da colina.
Ali repousavam inúmeros heróis anônimos da era moderna.
"Papai, a gente veio ver quem?", perguntou Paulo.
"Viemos prestar homenagem a um grande herói." Davi olhou para ele com um olhar sério e carregado.
"Um herói tão incrível quanto o Homem de Ferro?", perguntou Paulo.
"O Homem de Ferro é fictício," Davi respondeu em tom grave. "Mas cada herói aqui é real."
"Ah!" Paulo murmurou, ainda que não entendesse completamente, seus grandes olhos continuavam a vagar curiosos.
Diante de uma lápide, Davi parou.
A lápide negra não tinha nome.
Davi se agachou e colocou o buquê que trouxera em frente à lápide.
Ele limpou o pó da pedra com a mão, seus olhos escuros fixos na lápide.
Naquele silêncio pesado, parecia que mil palavras foram ditas.
Paulo ficou ao lado do pai, olhando para a lápide e depois para ele.
Embora tivesse muitas perguntas, sentiu que o pai não estava em um bom estado de espírito, então permaneceu calado.
"Paulo."
Davi virou-se, afagou a cabeça de Paulo e disse com voz calma e profunda: "Ajoelhe-se e preste suas homenagens."
"Tá bom!"
Paulo se ajoelhou obedientemente diante da lápide, encostou as mãos no chão e fez uma reverência solene.
Após a reverência, Paulo olhou para o pai, seu rostinho inocente e adorável.
Paulo fez um beicinho. "Vou me corrigir, e vou tratar a mamãe melhor do que antes! Mas ela já se mudou e agora é tão difícil vê-la!"
"Vou te levar a outro lugar primeiro," Davi disse, olhando para ele. "Depois te levo para ver sua mãe."
"Tá bom!" Paulo sorriu. "Você é o melhor, papai!"
Davi olhou para o rosto inocente e alegre de Paulo e esboçou um leve sorriso.
-
Meia hora depois, eles chegaram a uma casa de repouso nos arredores de Cidade NorteLuz.
Davi entrou na casa de repouso com Paulo.
No quarto individual, um idoso vestido com o uniforme azul da instituição estava sentado junto à janela, olhando para fora.
Ele já tinha passado dos oitenta anos, e a demência o fizera esquecer muitas coisas, quase não sabia mais quem era ou de onde vinha.
A cuidadora responsável pelo idoso informou Davi sobre a situação recente.
"A memória dele tem piorado muito, ele nem me reconhece mais. E sempre que começa a nevar, ele fala sobre procurar alguém chamado 'Hanhang', e quando fica muito agitado, precisamos dar um calmante."
Davi não disse nada, apenas levou Paulo até o idoso.
O idoso não reconhecia ninguém, mas talvez por achar Paulo bonito e adorável, ele estendeu a mão e acariciou a cabeça de Paulo, sorrindo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...