Aquiles
Três batidas decididas soaram na porta. Levantei-me, ainda meio sonolento, e a abri. Ania entrou e se aconchegou, abraçando Liliane por trás.
Olhei desconfiado para a fada sedutora, que se deitou ao lado da minha fêmea.
Fui me deitar do outro lado, com os dois braços embaixo da cabeça, evitando tocar em Ania de qualquer forma. A ideia era que ela viesse de três em três horas, mas as duas chegaram à conclusão de que seria mais fácil ela ficar de uma vez na cama do que apenas segurar a mão.
Agora estou aqui, sem saber se agradeço ou se rosno, pela intimidade que as duas vêm desenvolvendo.
— Aquiles...
— Hum?
Liliane pegou minha mão esquerda e me puxou para abraçar sua barriga. Suas costas se ancoraram em meu peito. Senti algo vibrando sob minha mão. Uma emoção incrível me invadiu, e meu lobo uivou entusiasmado.
— Não acredito! Não é muito cedo? — perguntei.
— Eu também achei, mas eles estão bem aqui... e, pelo jeito, serão lobinhos muito agitados.
Ela acariciou a barriga. Era a cena mais bonita do mundo.
— E os preparativos do quarto deles na nossa casa?
— Está tudo sendo preparado do jeitinho que você escolheu. Pronto para receber nossa família.
Ela sorriu.
— Então aproveite para dormir, porque, se puxarem o pai, de agora em diante você não terá mais sossego, viu?
Ania brincou, levantando um pouco o corpo e apoiando o cotovelo esquerdo no colchão, descansando a cabeça na mão enquanto também passava a mão na barriga de Liliane.
***Luna Vanessa***
— Eu apertei a mão de muita gente diferente, Adrian.
O nariz dele parecia pior que o de um cão farejador. Merda.
Um rosnado saiu de sua garganta, e dessa vez meu corpo arrepiou — não de um jeito bom.
— Vai assustar a mãe do seu filhote grávida, Adrian?
Seus olhos, que estavam mudando de cor, voltaram a ficar escuros.
Ergui o queixo e cruzei os braços.
— Meu gerente da boate é lobo.
Adrian estreitou os olhos e mordeu o lábio inferior.
— Não são cachorros perdidos, Vanessa. Se são renegados, há um motivo. São a pior raça que existe, e a maioria vira feral, animais movidos a instinto. São eles que mordem e transformam humanos em lobisomens, jogando-os no nosso mundo sem preparação alguma. A maioria não sobrevive nem seis meses.
Cruzei os braços, assumindo uma postura tão desafiadora quanto a dele.
— AH! Deus te livre de ao menos tentar fazer amizade com eles, já que são inferiores não é mesmo? Eles são meus. Estiveram em minha fundação todo esse tempo sem machucar ninguém. Quero saber a história de cada um deles. E acho que matar deve ser o último recurso. Não sou como você, que acha que tudo se resolve matando.
Ele me encarou.
— Ah, claro... porque os humanos são perfeitos, não é? São fracos. E, só para saber, os lobos são brutais, mas nosso índice de criminalidade não chega a um terço do da sua raça.
Ele colocou as mãos nos bolsos e me mirou.
— Eu sinto que preciso ouvi-los. Sinto, dentro de mim, que esses lobos precisam de alguém que os escute. Talvez ter uma Luna humana tenha seus motivos, Adrian.
Ele me olhou pensativo. Desviou o rosto por um tempo, depois me mirou decidido.
— Estávamos em nossa lua de mel há pouco tempo. Temos um filhote a caminho. Precisa arrumar uma causa filantrópica agora, Vanessa? Sério? Não viu o que aconteceu com Artemísia? Não vou aceitar isso. Você. não. pisa. mais. naquele. lugar. Me entendeu?
— Não pode fazer isso... não sou sua prisioneira — sussurrei.
Mas, naquele momento, não tive tanta certeza.
Afinal, já fui prisioneira dele uma vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...