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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 212

Liliane

— Tem certeza? Isso parece um mingau de chocolate… — Lucila estava desconfiada.

— Você está ofendendo o doce mais gostoso da sua vida. Não para de mexer essa panela, senão gruda. Tem que abrir um caminho no meio quando passar a espátula. — Ensinei o ponto para ela.

— Tá bom, tá bom…

A cozinheira me entregou um prato grande de cerâmica branca. Já me imaginei comendo brigadeiro enquanto assistia naquela televisão enorme mais tarde.

— O meu pão já deve estar pronto.

Lucila já cozinhava bem. Como a maioria das ômegas, nascemos com esse dom. Hoje trocamos receitas.

Eu estava colocando o prato na bancada quando eles entraram como uma manada desgovernada na cozinha. O prato escapou das minhas mãos. O barulho ecoou alto, e cacos voaram para todos os lados.

Gustavo, semivestido, pegou Lucila no colo. Aquiles me ergueu antes mesmo que eu entendesse o que estava acontecendo.

— O que está acontecendo? É só um prato, gente! Tira meu brigadeiro do fogo! — gritei para a cozinheira antes que perdesse o ponto.

— O meu pão também! Vai queimar! — Lucila gritou.

Em segundos, estávamos sendo colocadas no sofá da sala. Os machos exalavam um cheiro diferente, mais forte, mais instintivo.

Aquiles levantou minha perna para verificar minuciosamente se eu tinha sido arranhada. Morri de vergonha.

Meu sogro examinou Lucila também. Ao ver um pequeno arranhão na panturrilha dela, pareceu que sua mão pegou fogo. Ele a soltou imediatamente e se afastou.

Gustavo voltou com uma pomada e passou com cuidado na perna dela. Lucila ficou vermelha até a raiz dos cabelos. Eu reparei bem onde os olhos dela estavam fixos. Atrevida.

— Vocês quase nos matam do coração! — a Luna falou, sua aura nos pressionando.

Aquiles rosnou.

— Não rosna para mim, Aquiles. Quem resolve os problemas das fêmeas é a Luna. E você ainda não é nada da Liliane.

Ele rosnou mais alto.

— Já chega! — falei firme. — Aquiles, olha para mim. Eu estou bem. Estou segura.

Ele respirou fundo e retomou o controle.

— Desculpe, Luna. Não queríamos causar transtorno. Só estávamos fazendo brigadeiro. Lucila disse que nunca tinha provado, e todos estavam ocupados…

— Me desculpa também. Eu só me assustei. — Ela tentou sorrir, mas o sorriso não chegou aos olhos. — A partir de agora vocês duas vão ficar amarradas na barra da minha saia.

O clima pesado começou a se dissipar.

— Já que estamos todos bem… vocês não querem provar o pão e o brigadeiro? — Lucila sugeriu.

Os olhos dela brilhavam tanto quanto os meus. Uma competição silenciosa começava, e eles nem perceberam.

A mesa do jantar foi posta. Meu brigadeiro e os pães de Lucila estavam no centro.

Esperamos ansiosas pelas opiniões. A Luna foi obrigada a se sentar conosco.

— Eu estava com saudades do seu brigadeiro, Liliane. — Ela falou saboreando o doce.

Minha loba praticamente se pavoneou inteira.

Mesmo não sendo fã de doces, Aquiles provou.

— Eu vou experimentar de um jeito diferente. — Gustavo pegou um pão, passou brigadeiro por cima e deu uma mordida generosa. — Vocês têm mãos de fada. Isso está maravilhoso.

Felipe também provou.

Terminamos empatadas. Não sobrou um pingo de brigadeiro nem um único pão. Tudo desapareceu em segundos.

Lucila e eu já íamos ajudar a recolher a mesa quando a Luna nos interrompeu:

— Deixem aí. Lucila, você agora é minha secretária pessoal. E você também, Liliane.

— O quê? — falei surpresa.

— Meu avô organizou minha cerimônia, mas eu quero que fique com a minha cara. As fêmeas só voltam dois dias antes da união. Vocês são as únicas que tenho agora.

Ela fez uma cara tão carente que cheguei a beliscar minha coxa para ver se não estava sonhando. Doeu. Era real.

— Luna, nós não temos experiência para isso. Você viu o casamento do seu irmão? — falei também por Lucila, que estava pálida.

— Vocês vão me abandonar sozinha? — Ela arqueou as sobrancelhas e fez um biquinho dramático.

Suspirei.

— Certo, Luna.

— E lucila? — a chamei.

—Oi Luna.

Eu a encarei.

— Não olhe para o meu avô como se ele fosse um pirulito que você quer lamber até acabar.

Ela ficou vermelha na hora.

— Eu não ousaria, sei o meu lugar...— ela falou cabisbaixa.

— Eu não ligo para você ser ômega. Ligo para sua idade. Ele é maior do que você pode ter nas mãos no momento. Você ainda é quase uma menina. Se aos dezoito anos ainda quiser isso, tudo bem. Mas Gustavo não é um macho qualquer. Não brinque com ele.

— Sim, Luna.

— E parem de me chamar de Luna. Me chamem de Temi.

— Sim, Lu... quer dizer Temi. — ouvi as duas em uníssono.

— O que já temos pronto da cerimônia? — Liliane, tinha realmente ficado preocupada. Melhor assim pelo menos estava ocupada.

— Vou pegar o caderno com os itens já arranjados no escritório.

Fui na ponta dos pés pelo corredor, mas ao entrar no escritório encontrei Felipe concentrado no computador.

Droga. Entrei na toca do lobo.

— Pode me dar o caderno rosa que está na primeira gaveta da esquerda?

Ele ergueu o olhar devagar.

— Com medo de chegar perto de mim?

— Claro que não. — Estendi a mão.

Felipe se levantou com calma, passou por mim… e trancou a porta, colocando a chave no bolso.

Um frio percorreu minha espinha. O olhar dele é pura provocação.

Aí! E agora?

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