Artemisia
Pigarreei e me sentei no sofá. Já que todos controlavam minha vida sexual antes do casamento, não via motivo para poupá-los agora.
— Tenho um problema íntimo na penetração. É dolorosa e não sinto prazer algum.
Os dois pareceram querer estar em qualquer lugar, menos ali.
Meu avô endireitou o corpo. Aquiles se sentou.
— Temi…
— Não há necessidade disso, Aquiles — interrompi.
— Cada um fez o que tinha que fazer. — Ajustei-me no sofá. — Então, vô… minha cerimônia está encaminhada?
Ele passou as mãos pelos cabelos, como se despertasse de um pesadelo.
— Sim. Daqui a quatorze dias, na data combinada.
Aquiles e meu avô pareciam ainda mais abatidos.
— Vou para o escritório providenciar a chegada das guerreiras o quanto antes. Também pedirei a Godric que elabore um contrato sobre isso.
— Obrigada, Aquiles. Vou ficar te devendo uma.
Então voltei minha atenção ao olhar caído do meu avô.
— Vô?
— Hum?
O silêncio constrangedor se instalou até que reuni coragem.
— O que realmente te deixou assim?
Ele respirou fundo.
— Acho que cansei. Cansei de lidar com tudo isso e perceber que não deu em nada. — Ele travou o charuto entre os dedos. — Hoje de manhã, impedi oito dos meus lobos de se suicidarem. Se tivessem se rebelado contra mim, eu poderia puni-los. Poderia lutar por algo. Mas como vou lutar contra a vontade deles… se eu mesmo começo a sentir o mesmo?
Meu coração gelou.
— Só me mantive de pé porque você está em transição. Quando estiver estabelecida, não vejo motivo para continuar nesse vazio… com meu lobo enlouquecendo.
— Entendi.
Eu deveria acalmá-lo. Mas o choque da percepção do que ele insinuava me deixou sem palavras.
Ele se levantou e seguiu para o quarto.
Fiquei ali por alguns instantes, sentindo levemente o chamado das lobas ao meu redor, querendo se conectar à sua Luna.
O que será que elas queriam?
Lucila desceu as escadas.
— Deixei tudo organizado para a senhorita Liliane.
— Certo, Lucila.
Ela se virou para sair.
— Espera.
Virou-se novamente.
— Sabe se meu avô tem… — aproximei-me do ouvido dela — alguma namorada?
Ele era, sem dúvida alguma, lindo.
Na minha opinião, mais bonito que Adam, meu padrasto, que me criou como filha.
A fotografia me fez refletir sobre o quanto as fêmeas eram importantes para todos ali. Não apenas como companheiras. Como eixo emocional. Como sustentação.
Talvez eu tivesse mexido em algo muito mais profundo do que imaginava.
Voltei para o computador e comecei a enviar e-mails para todas as matilhas aliadas, colocando meu plano em marcha.
Duas batidas firmes ecoaram na porta.
— Pode entrar.
Lucila abriu. Estava pálida.
— Luna… o rei Lucien a aguarda na sala.
— Traga-o até o escritório, Lucila.
Corri no espelho e vi meu cabelo, voltei correndo e calcei os sapatos. Em pouco tempo o Rei estava entrando no meu escritório me levantei e o cumprimentei baixando a cabeça, e expondo meu pescoço, nada de apertos de mãos, é conhecido em todo o reino lupino o ciúmes da rainha.
— Rei Lucien. Em que posso servi-lo.
Ele se sentou tranquilo. Ainda sim o medo rasteja em minha espinha.
— Olá Artemísia. Você se tornou uma bela fêmea parecida fisicamente ao seu pai, mas pelo jeito tem o temperamento da sua mãe.
Eu não sabia se isso era um elogio ou um insulto. Então fiquei calada.
— Eu recebi notícias suas essa semana, um monte delas na verdade, parece que você está colocando o meu reino de ponta a cabeça. Tenho acompanhado sua família a tempos, você não tem histórico de agir com impulsos, então fiquei curioso, na verdade o que está acontecendo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...