Liliane
— Vamos?
Tenho consciência de que Aquiles espera uma resposta. Contudo, ainda não tenho nenhuma para lhe dar.
— Não quer que eu te acompanhe?
O meio sorriso charmoso e amigável me desarma. Ele está longe de se parecer com o lobo impiedoso que descrevem. Como achei que esse macho era tímido, Deusa?
— Claro que quero… só que agora você será o alfa daqui. Muitas fêmeas vão se jogar aos seus pés, logo, logo. Nem precisa mais de mim.
— Eu se eu quero apenas você ciumenta? — ele pergunta, ladeando a cabeça e me oferecendo a mão.
Eu aceito. Desisto de fingir que estou contrariada; só consigo pensar no que pode acontecer no caminho até a minha casa.
— Não sou ciumenta. Sou uma ômega com autopreservação. Imagine ficar na linha de frente com lobas de alto escalão.
Reviro os olhos, e o sorriso dele se amplia.
— Se esse é o problema, até hoje nenhuma delas me quis. Não será agora que isso vai mudar.
Começamos a caminhar. Meus olhos percorrem a tatuagem tribal em seus braços, e minha mente insiste em imaginá-la sobre o peito definido e nu. Ontem a pressa foi tanta que nem tiramos a roupa. Solto um suspiro.
— Seja lá onde estiver essa cabecinha, volte. Não quero tomá-la aqui mesmo.
Pega em flagrante. Que vergonha.
Aquiles me puxa pela mão, de encontro ao seu corpo, e sou incapaz de fingir que não é exatamente ali que quero estar.
— Então… é meu corpo que te agrada?
Uma risada me escapa. Fico na ponta dos pés para facilitar o trabalho dele.
Ele me dá um beijo leve, mas não era bem assim que eu queria.
— Quer passear pela floresta um pouco? — ele murmura próximo ao meu pescoço, sem tocar de fato.
O tom grave e rouco provoca leves tremores que passeiam pela minha pele. Fecho os olhos, apreciando a sensação.
— Quero.
Quando os abro, Aquiles já se dirige para trás de alguns arbustos e retorna na forma de lobo.
Monto nele, mas essa caminhada é diferente da primeira. Agora estou afobada, e meu corpo cria expectativas.
Ele começa a andar. Deslizo as mãos pela lateral do seu corpo, sentindo os músculos. Desta vez, não disfarço: aperto as pernas ao seu redor, friccionando onde me convém. Um suspiro me escapa, e o lobo choraminga.
— Comporte-se. Foi você que me chamou para passear.
Tento controlar a respiração. Nem chegou e já me faz passar vergonha dessa?
— Um cio?
Ele recoloca o membro na calça, e quase o impeço. Dá vontade de me ajoelhar ali mesmo, no chão da floresta, e lamber a última gota. Aquiles vai buscar meu tênis e me ajuda a calçá-lo.
— Um mini cio. Quando se transformar, terá um cio de verdade. O primeiro de muitos, espero — diz, debochado.
Vê-lo abaixado, o rosto voltado para mim, só me faz querer mais. Preciso de mais.
A necessidade me deixa exasperada, e fico apreensiva com minha falta de controle.
— Vem. Vou te levar para casa.
Meu olhar provavelmente demonstra o que sinto. Ele entra pela porta, minha virgindade saí pela janela.
— Prometo que não entro.
Aceito, relutante. Monto novamente em seu lobo e, por três vezes, sinto a excitação ameaçar voltar.
Quando ele para em frente à minha casa, desço e saio correndo.
— Ei! Você vai comigo ao casamento do meu irmão no fim de semana! — escuto ele gritar enquanto fecho a porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...