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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 191

Artemísia

Fato conhecido por todo lobo, seja de alta ou baixa patente, ômega ou renegado: todos são extremamente possessivos. Todos querem uma fêmea ao seu redor, exclusiva, sem espaço para outro em seus pensamentos.

E o pior vem depois da marca. É impossível esconder. É físico, visceral. Um companheiro marcado consegue sentir, nas próprias entranhas, qualquer traição, física ou mental.

E, durante toda a minha vida, todos os meus pensamentos foram de Aurin.

Bloqueei-os imediatamente ao sentir a mordida.

Desde ontem a noite gasto minhas energias com o bloqueio mental.

A dor entre minhas pernas ainda incomodava.

O pescoço ardia sem parar pela marca recém feita.

Nunca gostei da parte social do trabalho. Sempre permaneci no escritório, longe dos holofotes. Ainda assim, lá estava eu, dando o braço para que Felipe se apoiasse enquanto me acompanhava até a sala de reuniões.

Ao ver a quantidade de fêmeas reunidas, o nervosismo me atingiu em cheio e um frio percorreu meu corpo.

— Você vai conseguir, fique tranquila. Nasceu para isso, lembra? — ele disse em voz baixa.

— Claro — respondi com uma certeza que eu definitivamente não sentia. — Já volto.

Segui até o banheiro para respirar e me acalmar. Entrei em uma das cabines.

Pouco depois, três lobas entraram com ares de importância, conversando animadamente sobre um macho em especial.

O meu.

— Felipe não vai se satisfazer somente com uma escolhida, é só um contrato. Nada impede que ele tenha uma segunda fêmea — disse uma delas.

— Podemos continuar insistindo. Uma hora ele vai fraquejar.

A primeira falou com uma certeza tirada não sei de onde.

— E quem disse que será você a eleita, Rayra? — retrucou outra. — Olha para mim.

Pelo vão da porta, vi quando ela deu uma volta completa, provavelmente exibindo o corpo.

— Nenhum lobo até hoje resistiu às minhas curvas.

Olhei para mim mesma: pequena, com curvas delicadas demais para alguém que disputava aquele jogo.

Saí da cabine de cabeça baixa e lavei as mãos em silêncio.

— Ei! Quem é você?

A loba chamada Rayra me questionou. Seu tom era de alguém acostumada a ser obedecida.

— Sou nova aqui.

Ela lançou sua aura sobre mim, claramente achando que eu fosse uma loba inferior.

— Meu irmão Adrian teve o prazer de encontrar sua companheira destinada pela deusa, e, claro, farei questão de participar da cerimônia deles.

Puxei levemente a gola do vestido, exibindo minha marca recém-feita.

— Felipe, por favor querido, venha até aqui.

Ele obedeceu, e todos os olhares o acompanharam até o palco. Puxei uma cadeira para o centro.

Ele me atendeu, e todos os olhares o acompanharam até o palco. Puxei uma cadeira para o centro.

— Sente-se, querido. Como todas podem ver, tenho um macho poderoso ao meu lado.

Enquanto falava, desabotoei alguns botões de sua camisa, puxei sua gola e beijei sua boca. Felipe entendeu imediatamente o que eu faria e me encarou sério. Aquilo deveria ser íntimo, mas a plateia feminina suspirava em delírio.

Exibi meus dentes de guerra e afundei-os em sua carne. Injetei o máximo da minha essência que consegui e, em seguida, lambi a marca como uma gatinha satisfeita. Para minha surpresa, um prazer intenso me envolveu naquele ato.

Olhei diretamente para as três vadias no cio.

— A loba que eu pegar a menos de um metro do meu macho terá as mãos arrancadas. Se tocarem no que é meu, arrancarei suas cabeças. Certifiquem-se de não cobiçar o que não lhes pertence.

O cheiro de medo se espalhou pela sala. Minha loba lambia os dentes e afiava as garras, satisfeita.

— Há uma urna ali — apontei para a mesa no fim da sala. — Deixem suas opiniões sobre o que desejam que mude nessa alcatéia.

Reunião encerrada.

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