Artemísia
Fato conhecido por todo lobo, seja de alta ou baixa patente, ômega ou renegado: todos são extremamente possessivos. Todos querem uma fêmea ao seu redor, exclusiva, sem espaço para outro em seus pensamentos.
E o pior vem depois da marca. É impossível esconder. É físico, visceral. Um companheiro marcado consegue sentir, nas próprias entranhas, qualquer traição, física ou mental.
E, durante toda a minha vida, todos os meus pensamentos foram de Aurin.
Bloqueei-os imediatamente ao sentir a mordida.
Desde ontem a noite gasto minhas energias com o bloqueio mental.
A dor entre minhas pernas ainda incomodava.
O pescoço ardia sem parar pela marca recém feita.
Nunca gostei da parte social do trabalho. Sempre permaneci no escritório, longe dos holofotes. Ainda assim, lá estava eu, dando o braço para que Felipe se apoiasse enquanto me acompanhava até a sala de reuniões.
Ao ver a quantidade de fêmeas reunidas, o nervosismo me atingiu em cheio e um frio percorreu meu corpo.
— Você vai conseguir, fique tranquila. Nasceu para isso, lembra? — ele disse em voz baixa.
— Claro — respondi com uma certeza que eu definitivamente não sentia. — Já volto.
Segui até o banheiro para respirar e me acalmar. Entrei em uma das cabines.
Pouco depois, três lobas entraram com ares de importância, conversando animadamente sobre um macho em especial.
O meu.
— Felipe não vai se satisfazer somente com uma escolhida, é só um contrato. Nada impede que ele tenha uma segunda fêmea — disse uma delas.
— Podemos continuar insistindo. Uma hora ele vai fraquejar.
A primeira falou com uma certeza tirada não sei de onde.
— E quem disse que será você a eleita, Rayra? — retrucou outra. — Olha para mim.
Pelo vão da porta, vi quando ela deu uma volta completa, provavelmente exibindo o corpo.
— Nenhum lobo até hoje resistiu às minhas curvas.
Olhei para mim mesma: pequena, com curvas delicadas demais para alguém que disputava aquele jogo.
Saí da cabine de cabeça baixa e lavei as mãos em silêncio.
— Ei! Quem é você?
A loba chamada Rayra me questionou. Seu tom era de alguém acostumada a ser obedecida.
— Sou nova aqui.
Ela lançou sua aura sobre mim, claramente achando que eu fosse uma loba inferior.
— Meu irmão Adrian teve o prazer de encontrar sua companheira destinada pela deusa, e, claro, farei questão de participar da cerimônia deles.
Puxei levemente a gola do vestido, exibindo minha marca recém-feita.
— Felipe, por favor querido, venha até aqui.
Ele obedeceu, e todos os olhares o acompanharam até o palco. Puxei uma cadeira para o centro.
Ele me atendeu, e todos os olhares o acompanharam até o palco. Puxei uma cadeira para o centro.
— Sente-se, querido. Como todas podem ver, tenho um macho poderoso ao meu lado.
Enquanto falava, desabotoei alguns botões de sua camisa, puxei sua gola e beijei sua boca. Felipe entendeu imediatamente o que eu faria e me encarou sério. Aquilo deveria ser íntimo, mas a plateia feminina suspirava em delírio.
Exibi meus dentes de guerra e afundei-os em sua carne. Injetei o máximo da minha essência que consegui e, em seguida, lambi a marca como uma gatinha satisfeita. Para minha surpresa, um prazer intenso me envolveu naquele ato.
Olhei diretamente para as três vadias no cio.
— A loba que eu pegar a menos de um metro do meu macho terá as mãos arrancadas. Se tocarem no que é meu, arrancarei suas cabeças. Certifiquem-se de não cobiçar o que não lhes pertence.
O cheiro de medo se espalhou pela sala. Minha loba lambia os dentes e afiava as garras, satisfeita.
— Há uma urna ali — apontei para a mesa no fim da sala. — Deixem suas opiniões sobre o que desejam que mude nessa alcatéia.
Reunião encerrada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...